As ações da Boeing recuaram mais de 4% nesta quinta-feira, 14, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a China concordou em comprar 200 aeronaves da Boeing, número bem inferior ao divulgado anteriormente, que sugeria um possível mega-acordo envolvendo até 500 jatos.
Em entrevista à Fox News durante sua visita a Pequim, Trump declarou que o presidente chinês Xi Jinping aceitou encomendar “200 grandões”, sem detalhar as companhias aéreas envolvidas, os modelos das aeronaves ou prazos de entrega.
As declarações contrastaram com informações da Reuters e de outros veículos antes da cúpula, que indicavam negociações entre Boeing e autoridades chinesas para um pacote centrado em até 500 unidades do 737 MAX, com possibilidade de pedidos adicionais para 787 Dreamliner e 777X de fuselagem larga.
Até esta sexta-feira, último dia da viagem de Trump à China, nenhum anúncio formal sobre aeronaves havia sido feito por nenhum dos governos ou pela Boeing.

A ausência de confirmação pareceu frustrar investidores, especialmente após semanas de especulações sobre um possível avanço na relação da Boeing com a China, um dos maiores mercados de aviação do mundo.
Os laços comerciais da Boeing com a China se deterioraram fortemente após os dois acidentes fatais com o 737 MAX em 2018 e 2019, seguidos pelo aumento das tensões comerciais entre Washington e Pequim. As companhias aéreas chinesas praticamente interromperam grandes encomendas à Boeing após 2017, enquanto a Airbus ampliou sua presença no país e consolidou sua posição com uma linha de montagem final do A320 em Tianjin.
As entregas de aeronaves da Boeing para empresas chinesas voltaram a ocorrer de forma mais consistente em 2024, embora tenham enfrentado novas interrupções no ano passado, após relatos de que companhias chinesas adiaram o recebimento de aviões durante mais uma escalada nas disputas tarifárias entre os dois países.
Apesar dos esforços de Pequim para reduzir a dependência de indústrias ocidentais e desenvolver programas domésticos como o COMAC C919, a China segue fortemente dependente de tecnologia aeroespacial estrangeira, incluindo motores, aviônicos e outros sistemas críticos fornecidos por empresas americanas e europeias.

Analistas há muito consideram as compras de aeronaves como instrumentos tanto comerciais quanto políticos nas relações entre Estados Unidos e China. O último grande acordo da Boeing com a China foi fechado durante a primeira visita de Trump a Pequim, em 2017, quando clientes chineses anunciaram compromissos para 300 aeronaves.
A demanda chinesa por novas aeronaves permanece elevada. Boeing e Airbus estimam que o país precisará de cerca de 9.000 novos jatos comerciais nas próximas duas décadas, acompanhando o crescimento da demanda por viagens aéreas.
O CEO da Boeing, Kelly Ortberg, integrou a delegação empresarial de Trump à China ao lado de executivos de grandes empresas americanas. No início deste ano, Ortberg reconheceu que qualquer grande encomenda chinesa dependeria fortemente do avanço das negociações bilaterais entre Washington e Pequim.



