A Aena assumiu nesta terça-feira (6) o controle do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão, encerrando uma longa negociação iniciada depois que a antiga concessionária pediu para devolver o terminal ao governo federal em 2022.
A empresa espanhola assinou o contrato de compra e venda das ações da concessionária do Galeão, após vencer em março a venda assistida promovida pelo governo com uma oferta de R$ 2,9 bilhões. A Aena passa a controlar 100% da concessionária, cujo contrato permanece válido até 2039.
A operação também marca a saída definitiva da Infraero do Galeão. A estatal ainda possuía 49% da concessionária, participação remanescente do modelo adotado nas primeiras concessões de grandes aeroportos brasileiros. Os outros 51% estavam nas mãos dos acionistas privados. A venda assistida envolveu a totalidade das ações.
Com o Galeão, a Aena passa a administrar 18 aeroportos no Brasil, incluindo Congonhas, em São Paulo, e Recife. Segundo a empresa, seus terminais brasileiros movimentam mais de 63 milhões de passageiros por ano.

Galeão chegou a ser devolvido em 2022
A concessão do Galeão começou em 2014, depois de um leilão realizado no ano anterior que resultou em uma oferta de R$ 19 bilhões. O consórcio vencedor era originalmente formado por Odebrecht Transport e Changi Airports International, além da participação de 49% da Infraero.
A deterioração da economia brasileira, mudanças no mercado aéreo e posteriormente a pandemia afetaram fortemente as projeções feitas na época da concessão. Em fevereiro de 2022, a RIOgaleão pediu formalmente a devolução do aeroporto ao governo.
O Galeão atravessava então um de seus piores momentos. Em 2022, movimentou apenas 5,9 milhões de passageiros, muito abaixo da capacidade instalada e dos volumes registrados antes da pandemia.
A situação também colocou no centro da discussão a divisão do tráfego aéreo do Rio de Janeiro. O Santos Dumont, localizado na região central da cidade, havia ampliado sua oferta de voos e atraído parte importante do mercado doméstico que anteriormente utilizava o Galeão.
Em 2023, o governo federal decidiu limitar a expansão do Santos Dumont. Uma proposta inicial previa restringir os destinos atendidos pelo aeroporto, mas a solução adotada posteriormente estabeleceu um teto de 6,5 milhões de passageiros por ano.

Aeroporto recuperou passageiros
A mudança alterou rapidamente a distribuição do tráfego entre os dois aeroportos. O Galeão passou de 5,9 milhões de passageiros em 2022 para 7,9 milhões em 2023 e 14,5 milhões em 2024. Em 2025, recebeu aproximadamente 17,9 milhões de passageiros, superando os níveis anteriores à pandemia.
No fim do ano passado, o governo chegou a anunciar que permitiria ao Santos Dumont movimentar entre 7,5 milhões e 8 milhões de passageiros em 2026. A flexibilização, entretanto, foi posteriormente revogada, mantendo-se a política de contenção do aeroporto central.
Enquanto o Galeão recuperava movimento, governo, concessionária, ANAC e Tribunal de Contas da União negociavam uma alternativa à simples devolução do aeroporto e realização de uma nova concessão.
A solução foi a venda assistida. O contrato existente foi repactuado e mantido até 2039, permitindo que um novo controlador comprasse a concessionária em vez de o aeroporto retornar à União para posteriormente ser novamente licitado.
Entre as alterações acertadas está a retirada de algumas obrigações previstas originalmente, incluindo a construção de uma terceira pista. A estrutura de pagamentos da concessão também foi modificada, com contribuição variável correspondente a 20% da receita bruta anual.

Aena também controla Congonhas
A Aena venceu a disputa pelo Galeão em março, superando outros interessados, entre eles o grupo que controlava a concessionária. A assinatura realizada nesta terça-feira conclui a transferência do aeroporto para a empresa espanhola.
A aquisição cria ainda uma situação inédita na rede aeroportuária brasileira: a mesma concessionária passa a administrar Congonhas e Galeão, dois dos principais aeroportos do país e terminais estratégicos nos maiores mercados aéreos brasileiros.
A própria Aena afirmou que pretende explorar a coordenação do Galeão com outros aeroportos de sua rede, especialmente Congonhas. A empresa assumiu o terminal paulistano em 2023 e conduz atualmente um amplo projeto de expansão e reforma do aeroporto.
Com a incorporação do Galeão, a rede global da Aena passa a reunir 81 aeroportos em cinco países. No Brasil, a empresa administra terminais em dez estados e responde por aproximadamente 28% do tráfego aéreo nacional.
