A Airbus se prepara para realizar o primeiro voo do A350F na terceira semana de setembro, segundo fontes do setor citadas pela Reuters, aproximando o cargueiro, que sofreu atrasos, do início da campanha de certificação.
A data ainda é provisória e pode ser adiada para o início de outubro. A Airbus não confirmou um cronograma mais preciso, mantendo a orientação anterior de que o primeiro voo ocorrerá antes do fim de 2026.
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O cronograma deixará pouca margem para o programa de testes em voo se a empresa quiser cumprir seus planos. A Airbus ainda prevê entregar o primeiro A350F no segundo semestre de 2027, enquanto campanhas de certificação de novos aviões comerciais normalmente exigem entre 12 e 15 meses.
O A350F foi lançado em 2021 e, inicialmente, deveria entrar em serviço em 2025. Desde então, o cronograma sofreu vários atrasos, com problemas de desenvolvimento e produção empurrando a primeira entrega para 2027.
A Reuters informou em maio que a Airbus enfrentava atrasos relacionados à grande porta de carga do convés principal, fabricada na Espanha. Mais recentemente, o Leeham News noticiou que as entregas poderiam ser adiadas ainda mais, para 2028. A Airbus não adotou esse cronograma e segue mirando o segundo semestre do próximo ano.

Rara disputa da Airbus com a Boeing em cargueiros de grande porte
O A350F é especialmente importante para a Airbus porque os cargueiros dedicados de grande porte permanecem como um dos poucos segmentos de aeronaves comerciais em que a Boeing mantém posição dominante.
A Airbus já enfrentou dificuldades para estabelecer presença comparável. Apenas 38 A330-200F foram vendidos, enquanto a Boeing acumulou centenas de pedidos para versões cargueiras do 747 e do 777.
O A350F utiliza a família A350 como base, mas incorpora mudanças estruturais significativas para a função de carga. Tem fuselagem mais curta que o A350-1000, piso reforçado e a grande porta de carga no convés principal, mantendo os motores Rolls-Royce Trent XWB-97 usados no -1000.

A Airbus informa capacidade máxima de carga de 111 toneladas e alcance de cerca de 4.700 milhas náuticas (8.700 km) com carga máxima.
O fabricante já acumula 107 pedidos para o modelo, garantindo carteira de encomendas bem maior que a do antigo A330F. Entre os clientes estão grandes operadores de carga e empresas de leasing, com Air France-KLM, Cathay Pacific, Etihad Airways, Singapore Airlines e Turkish Airlines entre os compradores.
O principal concorrente será o 777-8F da Boeing, também atrasado em relação ao cronograma original. Ambos os aviões estão sendo desenvolvidos para substituir cargueiros 747 e 777F, à medida que as companhias aéreas se preparam para exigências mais rígidas de emissões e a retirada de aeronaves de carga mais antigas.



