A SpiceJet fechou acordo para incorporar 20 aeronaves em arrendamentos de curto prazo, numa tentativa de recuperar capacidade poucos dias após os últimos Boeing 737 MAX operacionais deixarem a frota da companhia de baixo custo indiana.
A empresa assinou contratos com três operadores para receber 15 Boeing e cinco Airbus, com chegada prevista entre meados de outubro e meados de novembro. Os aviões serão fornecidos em regime de wet e damp lease, ou seja, não farão parte da frota própria ou arrendada em dry lease da SpiceJet.
Alguns dos Airbus serão A321, ampliando a oferta de assentos com um modelo de maior capacidade em uma operação historicamente baseada no Boeing 737 e no De Havilland Canada Dash 8-400.
A SpiceJet espera que as aeronaves adicionais permitam ampliar a malha para cerca de 200 voos diários durante a alta temporada de inverno na Índia. O plano representa um salto significativo em relação à operação atual, reduzida a apenas 11 aviões ativos.
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A mais recente expansão ocorre logo após a SpiceJet encerrar as operações com o 737 MAX. Os três últimos 737-8 ativos, VT-MXD, VT-MXE e VT-MXI, foram desregistrados para devolução aos arrendadores, reduzindo a frota ativa para oito aeronaves antes da chegada de três Airbus A320 em damp lease da Sky Angkor Airways, do Camboja.

Muitos aviões, poucos voando
A frota operacional reduzida não significa que a SpiceJet tenha apenas alguns aviões vinculados à empresa. Um número bem maior de Boeing 737 e Dash 8-400 permanece em solo, enquanto a companhia enfrenta dificuldades financeiras, demandas de manutenção e disputas com arrendadores.
A situação da frota 737 MAX ficou especialmente complexa este ano. Em julho, a ICBC, arrendadora chinesa, solicitou a devolução de quatro 737-8 arrendados à SpiceJet. Segundo a companhia, essas aeronaves já estavam paradas há muito tempo devido a problemas de fabricação envolvendo as turbinas de alta pressão dos motores.
Na época, a SpiceJet argumentou que devolver esses aviões eliminaria pagamentos de leasing por aeronaves que não estavam contribuindo com capacidade, sem impacto nas operações.
A saída dos últimos MAX operacionais, porém, teve efeito diferente. Com a devolução desses jatos, a SpiceJet perdeu aeronaves que ainda estavam voando, reduzindo ainda mais a frota ativa.
Agora, a empresa busca preencher parte dessa lacuna de capacidade com aviões e suporte operacional fornecidos por outros operadores, em vez de reativar imediatamente sua própria frota parada.

Capacidade de curto prazo
Wet e damp leases são usados com frequência para aumentar rapidamente a capacidade, pois podem incluir tripulação, manutenção e seguro fornecidos pelo operador. Isso permite à SpiceJet ampliar as operações sem esperar a conclusão da manutenção dos aviões parados ou assumir compromissos imediatos com arrendamentos convencionais de longo prazo.
A estratégia não é novidade para a companhia. A SpiceJet já recorreu repetidas vezes a aeronaves arrendadas de curto prazo em períodos de alta demanda, enquanto trabalha para reativar aviões de sua própria frota.
O volume do novo acordo, porém, chama atenção. A incorporação das 20 aeronaves pode elevar a frota operacional de cerca de 11 para mais de 30 aviões, embora o número disponível em determinado momento dependa da entrada e saída dos contratos de curto prazo.
A SpiceJet já teve presença muito maior no mercado doméstico indiano e foi uma das primeiras clientes do 737 MAX. Os planos de longo prazo da frota eram baseados principalmente no Boeing narrowbody, mas dificuldades financeiras e paralisações de aeronaves impediram a companhia de seguir a trajetória de expansão prevista quando os jatos foram encomendados.
A empresa tenta há anos reativar aviões parados, ao mesmo tempo em que negocia acordos com arrendadores e outros credores. A chegada de mais um grande lote de aeronaves em wet e damp lease dará fôlego extra para a alta do inverno, mas mantém sem resposta a questão de longo prazo sobre a frota própria inativa.
