A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos podem ter participado diretamente de ataques militares contra o Irã durante o recente conflito regional, segundo reportagens publicadas pela Reuters e pelo The Guardian.

Até então, os países do Golfo eram vistos principalmente como provedores de apoio logístico às operações dos Estados Unidos, oferecendo bases militares e acesso ao espaço aéreo, mas evitando envolvimento direto em combates contra Teerã.

A Reuters informou que a Arábia Saudita realizou ataques retaliatórios até então não divulgados contra o Irã no final de março, após mísseis e drones iranianos terem atingido o reino. Segundo a reportagem, as operações foram conduzidas pela Força Aérea Real Saudita e ocorreram após alertas públicos de Riad de que poderia adotar medidas militares se necessário.

Os alvos específicos não foram revelados, embora a Reuters tenha informado que autoridades iranianas e ocidentais confirmaram que os ataques ocorreram antes de contatos diplomáticos entre Teerã e Riad ajudarem a reduzir as tensões antes do cessar-fogo de 7 de abril.

Boeing F-15 Eagle 2014 (Ronnie Macdonald)
Boeing F-15 Eagle 2014 (Ronnie Macdonald)

O The Guardian, por sua vez, citou relatos de que os Emirados Árabes Unidos realizaram ataques contra o Irã, incluindo uma suposta ofensiva na Ilha de Lavan pouco antes do anúncio do cessar-fogo.

De acordo com o jornal, imagens analisadas durante o conflito indicaram a presença de caças Mirage 2000 e drones Wing Loong de origem chinesa operando em território iraniano. Ambos os modelos são empregados pela Força Aérea dos Emirados Árabes Unidos.

As reportagens sugerem que as monarquias do Golfo passaram a adotar operações ofensivas após sucessivos ataques iranianos contra infraestrutura petrolífera, aeroportos e instalações militares durante o conflito iniciado no fim de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos tradicionalmente dependem fortemente da proteção militar dos Estados Unidos e, em geral, evitam confrontos militares diretos com o Irã, apesar de anos de rivalidade regional.

E-3 da Força Aérea dos EUA destruído na Arábia Saudita (Social media)
E-3 da Força Aérea dos EUA destruído na Arábia Saudita (Social media)

O conflito, no entanto, expôs vulnerabilidades nas defesas aéreas do Golfo, já que ataques iranianos com mísseis e drones atingiram vários países da região, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar.

Segundo a Reuters, a Arábia Saudita buscou posteriormente negociações para redução de tensões com Teerã mesmo após os ataques retaliatórios, enquanto os Emirados Árabes Unidos teriam mantido uma postura mais agressiva em relação ao Irã durante o conflito.

As reportagens também destacaram divergências entre os países do Golfo sobre até que ponto os governos regionais devem ir no enfrentamento militar ao Irã, especialmente diante de preocupações de que uma escalada possa ameaçar instalações petrolíferas, tráfego marítimo e projetos econômicos em toda a região do Golfo.