A Azul Conecta celebrou os seis anos de operação em um dos segmentos mais difíceis da aviação brasileira. Criada em 2020 após a aquisição da TwoFlex pela Azul, a empresa nasceu para atender cidades de menor porte e aeroportos onde aviões maiores dificilmente conseguem operar de forma rentável.

A companhia tem passado por uma mudança em sua frota. Depois de operar exclusivamente com o Cessna Grand Caravan, de nove assentos, a Azul Conecta incorporou o Pilatus PC-12 para operações regionais, fretamentos e voos executivos. O próximo passo será a entrada em serviço do Cessna SkyCourier, turboélice de 19 assentos desenvolvido pela Textron.

O SkyCourier praticamente dobra a capacidade do Caravan e foi projetado para operar em pistas curtas ou não pavimentadas, perfil comum em parte da malha regional brasileira. Quando iniciar voos comerciais, a Azul Conecta deverá se tornar a primeira companhia aérea pertencente a um grande grupo de aviação a utilizar o modelo no transporte regular de passageiros.

Segundo a empresa, a operação acumulou 162 mil horas de voo desde 2020, transportando mais de 350 mil passageiros. Apenas no primeiro semestre deste ano foram realizados cerca de 5,6 mil voos, com 21,1 mil passageiros. Além das rotas regulares, a subsidiária também atua em fretamentos e em contratos dedicados, como o transporte de funcionários da Petrobras entre Porto Urucu e Carauari, no Amazonas.

Mercado regional é sinônimo de crise financeira

A aviação regional brasileira ocupa um papel importante em um país de dimensões continentais, mas historicamente enfrenta dificuldades para se sustentar. Na década de 1970, o governo federal criou o Sistema Integrado de Transporte Aéreo Regional (SITAR) justamente para incentivar ligações que haviam sido abandonadas pelas companhias após a chegada dos jatos comerciais, mais eficientes em rotas de maior demanda.

Dali nasceram cinco empresas - TAM, Rio-Sul, Votec, TABA e Nordeste - que retomaram as ligações entre cidades pequenas e as principais capitais, mas recebendo para isso dinheiro do governo.

Fokker F-27 da TAM (Alain Durand)
Fokker F-27 da TAM (Alain Durand)

Mesmo com incentivos, poucas empresas conseguiram permanecer nesse mercado ao longo das décadas. A TAM, que chegou a manter uma malha considerável mesmo expandindo sua atuação em voos domésticos e internacionais, abandonou o segmento regional em meio à fusão com a LAN Chile e a criação da LATAM.

Mais recentemente, o colapso da VoePass foi simbólico das dificuldades do setor, que hoje não conta com uma política nacional voltada a manter viva a aviação regional.