A Azul Conecta assinou com o governo de Santa Catarina o contrato para operar o VOA+SC, programa criado pelo estado para subsidiar voos regulares de passageiros e cargas entre Florianópolis e nove aeroportos catarinenses.
Os voos devem começar em novembro e atender São Miguel do Oeste, Joaçaba, Caçador, Blumenau, Correia Pinto, Lages, Jaguaruna, Forquilhinha e Joinville. A subsidiária regional da Azul foi a única empresa que apresentou proposta na concorrência aberta pelo governo em junho.
Siga AIRWAY: WhatsApp | Instagram | LinkedIn | Twitter | Facebook
O ponto central do programa é justamente o uso de dinheiro público para viabilizar ligações que dificilmente se sustentariam apenas com a venda de passagens. O edital estabeleceu valor estimado de R$ 22,56 milhões e adotou como critério o menor preço por hora de voo. A proposta envolve 1.940 horas de operação subsidiada.
O VOA+SC é relativamente recente. O governo começou a estruturar o projeto em 2025 e a Assembleia Legislativa aprovou sua criação em dezembro daquele ano, por meio da Lei 19.679. A regulamentação ocorreu em abril de 2026 e a licitação foi lançada em junho.
Notícias recentes
A legislação permite que o estado contrate empresas para transportar passageiros e cargas em rotas regionais. O programa também prevê o uso dos voos para logística de medicamentos, insumos médicos e itens destinados à Defesa Civil.
A iniciativa recupera um modelo que já teve diferentes tentativas no Brasil: o poder público assume parte do custo de ligações de baixa densidade para tornar possível uma operação aérea regular. Santa Catarina argumenta que investiu nos últimos anos na infraestrutura de seus aeroportos regionais, mas várias dessas instalações continuam sem uma oferta consistente de voos comerciais.
Antes da licitação, documentos elaborados pelo governo chegaram a estimar uma necessidade de até R$ 112,3 milhões para o VOA+SC entre 2026 e 2028. O valor considerava diferentes cenários de operação e não corresponde ao contrato agora assinado, cujo edital ficou limitado aos R$ 22,56 milhões.

Azul Conecta terá operação radial
A primeira malha do VOA+SC será concentrada em Florianópolis. Em vez de criar ligações diretas entre cidades do interior, os nove destinos terão a capital catarinense como ponto de conexão.
Isso também permite alimentar a malha da própria Azul a partir de Florianópolis, embora o aeroporto seja muito menos relevante para a empresa que seus principais centros de conexão no país.
A Azul não informou no comunicado qual avião será empregado em cada rota. A Azul Conecta opera principalmente o Cessna Grand Caravan, turboélice de nove assentos adequado a mercados de baixa demanda e aeroportos pequenos. A empresa começou recentemente a diversificar sua frota com o Pilatus PC-12 e prepara a introdução do Cessna SkyCourier, de 19 assentos.
Notícias relacionadas
A capacidade reduzida desses aviões é justamente uma das características que permitem à empresa explorar mercados que não comportariam regularmente modelos maiores utilizados pelas principais companhias brasileiras.
O desafio será transformar o subsídio inicial em uma malha que mantenha demanda suficiente para justificar sua continuidade. A história da aviação regional brasileira reúne vários programas públicos e companhias que tentaram atender cidades menores, mas a baixa densidade de passageiros e os custos elevados da operação aérea dificultam a manutenção dessas rotas sem algum tipo de incentivo.
No caso do VOA+SC, o próprio desenho do programa reconhece essa limitação: em vez de esperar que uma companhia assuma sozinha o risco comercial das nove ligações, Santa Catarina decidiu contratar diretamente a oferta de capacidade aérea.






