A Azul afirmou ter finalmente superado os problemas de disponibilidade de motores que mantiveram parte de sua frota de jatos Embraer E195-E2 em solo durante grande parte dos últimos quatro anos.

O CEO John Rodgerson declarou, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre da companhia aérea brasileira em 14 de agosto, que toda a frota E2 está agora operacional após melhorias na disponibilidade dos motores Pratt & Whitney PW1900G.

A declaração não significa que todos os E195-E2 estejam voando a todo momento. As aeronaves continuam entrando em manutenção como parte das operações normais. O PS-AEQ, por exemplo, não voa desde o final de julho e estava atualmente em manutenção, mas não há indicação de que sua ausência esteja relacionada aos prolongados problemas de disponibilidade de motores que afetaram a frota.

A distinção é importante após anos em que a Azul rotineiramente mantinha E2 em solo por falta de motores ou peças de reposição.

A Azul esteve particularmente exposta aos problemas envolvendo a família de motores GTF da Pratt & Whitney porque tanto sua frota de E195-E2 quanto a de Airbus A320neo utilizam versões desse motor. O presidente Abhi Shah afirmou, na mesma teleconferência, que o número de A320neo em solo por questões relacionadas à Pratt também deve cair para zero em 15 a 30 dias.

Embraer E195-E2 da Azul (Alexandro Dias/CC)
Embraer E195-E2 da Azul (Alexandro Dias/CC)

Fonte de peças de reposição

A situação dos E2 chegou a tal ponto que a Azul aceitou dois E195-E2 praticamente novos sem a intenção inicial de operá-los.

O PS-KSA e o PS-KSB foram adquiridos como fonte de peças de reposição e armazenados no Aeroporto de Arealva-Bauru. A decisão incomum permitiu à Azul obter componentes que podiam ser retirados para apoiar a frota ativa em um momento em que a obtenção de peças pelos canais convencionais estava difícil.

Uma dessas aeronaves já retornou dessa situação. O PS-KSA foi retirado do armazenamento e preparado para operação comercial nas últimas semanas. A aeronave, fabricada em 2024, passou por trabalhos nas instalações de manutenção da Azul em Campinas e já entrou em serviço regular.

O E195-E2 da Azul é configurado para receber 136 passageiros (Thiago Vinholes)
O E195-E2 da Azul é configurado para receber 136 passageiros (Thiago Vinholes)

O PS-KSB permanece armazenado. A aeronave foi entregue à Azul em setembro de 2025 e transferida para o aeroporto pouco depois, onde segue estacionada.

Isso gera uma pequena discrepância na contagem da frota E2 da Azul. A companhia reportou oficialmente o recebimento do 42º E195-E2, PS-ADO, em março. Bancos de dados como o Planespotters.net, porém, contabilizam 45 E195-E2 associados à Azul, incluindo aeronaves como PS-KSA e PS-KSB, que não foram inicialmente tratadas pela empresa como adições normais à frota operacional.

Problemas com motores GTF afetaram operações iniciais do E2

A Azul foi a cliente de lançamento do E195-E2, colocando o modelo em serviço comercial em 2019. A companhia construiu, em seguida, a maior frota mundial do modelo, embora tenha sido superada pela Porter Airlines, do Canadá. Esse porte tornou a Azul especialmente vulnerável aos problemas de disponibilidade que afetaram os motores PW1900G.

O PW1900G faz parte da família GTF da Pratt & Whitney, que enfrentou diversos problemas de durabilidade e cadeia de suprimentos. A situação se agravou após a RTX revelar, em 2023, que uma questão de fabricação envolvendo pó metálico usado em alguns componentes exigiria inspeções aceleradas e remoção de motores em parte da frota equipada com GTF.

A Azul foi a primeira companhia do mundo a receber o E195-E2, em 2019 (Thiago Vinholes)
A Azul foi a primeira companhia do mundo a receber o E195-E2, em 2019 (Thiago Vinholes)

Para as companhias aéreas, o problema foi agravado pelos longos prazos de retorno dos motores enviados para oficinas de manutenção. As aeronaves podiam permanecer em solo não por falha estrutural, mas por falta de motor disponível para devolvê-las à operação.

A Azul também se prepara para retomar o crescimento com o modelo após modificar seus compromissos com a Embraer durante o processo de Chapter 11. A Azul espera receber mais três E2 em 2026, seguidos de cinco aeronaves por ano entre 2027 e 2029.