A Breeze Airways aposentou seu último Embraer E190, colocando um ponto final no ciclo dos jatos brasileiros de segunda mão que lançaram a mais recente companhia aérea de David Neeleman há mais de cinco anos.
A última aeronave, N120BZ, deixou a frota em 7 de setembro, segundo dados do Planespotters.net. O E190 estava na Breeze desde julho de 2021 e era o último do modelo ainda listado em operação pela companhia dos Estados Unidos.
Agora, a Breeze opera voos regulares exclusivamente com o Airbus A220-300. Dados de frota da Airbus de agosto de 2026 apontam 64 A220 na companhia, embora cinco deles não estejam voando atualmente.
As cinco aeronaves paradas são ex-EgyptAir adquiridas pela empresa de leasing Azorra e posteriormente alocadas na Breeze. Elas permanecem na frota da companhia, apesar de não serem usadas em voos regulares no momento.
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A mudança conclui uma transição planejada antes mesmo de a Breeze transportar seu primeiro passageiro. Os E-Jets nunca foram pensados como base de longo prazo da companhia, mas ofereceram uma solução disponível e relativamente barata para iniciar as operações enquanto a Breeze aguardava seus novos Airbus.

Neeleman lançou o serviço comercial em 27 de maio de 2021 com E190 e E195. Inicialmente, a Breeze contava com 10 E190 e três E195, usados para estabelecer sua malha de rotas diretas entre mercados menores dos EUA.
O primeiro A220-300 só chegou em dezembro de 2021, quase sete meses após o início das operações. A Breeze já havia firmado compromisso com o modelo antes de começar a voar e depois ampliou o pedido firme para 90 aeronaves, com mais 30 opções.
Mais de 5.000 voos
Os Embraer acabaram se tornando uma frota de entrada. Segundo a Breeze, seus E-Jets realizaram mais de 5.000 voos antes da chegada do primeiro A220 e continuaram sendo úteis mesmo após a expansão da frota Airbus.
A aposentadoria levou bem mais tempo que o previsto inicialmente. A Breeze planejava operar apenas com A220 em voos regulares até o fim de 2024, mas manteve E190 e E195 em voos charter e algumas rotas regulares, especialmente as mais curtas e de menor demanda.
Em janeiro de 2025, o Airway informou que a companhia havia adiado a aposentadoria final para meados de 2026. Na época, ainda operava 10 E190 e três E195, todos baseados em Nova Orleans.

Os E195 foram os primeiros a sair. O maior modelo da Embraer deixou a frota da Breeze durante 2025, enquanto o E190 seguiu voando até este ano. Em março, restavam apenas oito E190 junto à crescente frota de A220.
A retirada então acelerou. O N112BZ saiu em março, seguido pelo N126BZ e N115BZ em maio, N116BZ em junho e N114BZ em julho. O N128BZ foi retirado em agosto, restando o N120BZ como último E190.
Neeleman optou pela Airbus desta vez
A escolha de frota da Breeze chama atenção pelo histórico de Neeleman com a Embraer. Na Azul, fundada por ele em 2008, o E-Jet foi fundamental desde o primeiro dia de operações. A Azul começou com E190 e E195 e depois foi a primeira a operar o E195-E2, maior modelo da segunda geração dos E-Jet.
A Breeze seguiu outro caminho. Neeleman escolheu o então CSeries da Bombardier como futuro avião de sua nova companhia nos EUA, com o compromisso inicial anunciado em 2018. A Airbus assumiu o programa naquele mesmo ano e depois rebatizou a aeronave como A220.
A escolha colocou a Breeze no lado da Airbus em um segmento de mercado onde A220 e Embraer E2 disputam cada vez mais espaço. A Breeze acabou ampliando o pedido firme para 90 A220-300.

Nem todos os A220 atualmente ligados à companhia vieram diretamente desse pedido à Airbus. A Breeze também recorreu a empresas de leasing para expandir a frota.
No início deste ano, a TrueNoord entregou três A220-300 novos de fábrica à Breeze por meio de operação de sale-and-leaseback. De forma mais incomum, sete dos 12 A220 anteriormente operados pela EgyptAir foram alocados na Breeze pela lessor Azorra, com o último entregue em junho.
A Jackson Square Aviation entregou outro A220-300 em regime de leasing no início de setembro e planeja fornecer mais uma aeronave em outubro.
Segundo dados de pedidos e entregas da Airbus de agosto, a Breeze tem 90 pedidos firmes de A220-300 com o fabricante, dos quais 55 já haviam sido entregues até o fim do mês. As aeronaves adicionais em leasing elevam a frota total registrada pela Airbus para 64 A220.
