A Azul Linhas Aéreas registrou receita de R$ 5,47 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de apenas 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. É um crescimento discreto, que indica estabilidade na demanda, não expansão.
O salto veio do lado operacional. O lucro operacional atingiu R$ 1,04 bilhão, alta de 83,1%, com margem de 19,1% — quase o dobro dos 10,6% de um ano antes. Na prática, a empresa passou a extrair muito mais resultado da mesma operação.
O EBITDA somou R$ 1,7 bilhão, crescimento de 22,6%, com margem de 31,1%. Esse nível de margem indica forte geração de caixa operacional, algo crítico após o processo de reestruturação recente.
A receita por assento (RASK) subiu 4,3%, enquanto a taxa de ocupação chegou a 83,8%, avanço de 2,3 pontos percentuais. Em termos simples, os aviões voaram mais cheios e rendendo mais por passageiro.

Mas o principal ajuste veio na oferta. A Azul reduziu sua capacidade em 2,7% no trimestre, com corte mais forte nas operações internacionais. Ou seja, voou menos e concentrou a operação onde havia maior retorno.
Esse movimento ajuda a explicar por que os resultados melhoraram sem crescimento relevante de receita: a empresa priorizou margem em vez de volume.
Lucro líquido saltou 81,5%
Do lado dos custos, houve alívio importante. O custo por assento (CASK) caiu 5,7%, impulsionado principalmente por uma redução de 10,7% no preço do combustível e pela valorização do real. Além disso, a empresa ainda colhe efeitos das mudanças estruturais feitas durante a reestruturação judicial do Chapter 11, nos EUA, como renegociação de contratos de leasing e maior eficiência operacional.
O lucro líquido reportado foi de R$ 1,42 bilhão, alta de 81,5%. Mas esse número inclui efeitos contábeis ligados à reestruturação. Quando ajustado, o resultado fica praticamente no zero, com leve prejuízo de R$ 44 milhões.

Na prática, a Azul voltou a apresentar lucro no papel, mas ainda não atingiu uma rentabilidade consistente sem efeitos extraordinários.
No balanço, a posição de liquidez melhorou de forma relevante. Caixa e recebíveis somaram R$ 4,7 bilhões, quase o dobro de um ano antes. Ao mesmo tempo, a dívida total caiu R$ 14 bilhões, para R$ 20,6 bilhões, reduzindo a alavancagem para cerca de 2,4 vezes o EBITDA.
Isso mostra um avanço claro na estrutura financeira, com menos pressão de dívida e mais fôlego de curto prazo.
A empresa também gerou R$ 216,9 milhões de caixa livre recorrente no trimestre, um sinal de que a operação já voltou a produzir caixa.
Os números indicam melhora relevante, mas apoiada em três fatores principais: redução de custos, menor oferta de voos e condições externas favoráveis, como combustível mais barato e câmbio. Vale lembrar que o preço do querosene saltou nas últimas semanas após o conflito no Irã, o que deve refletir nos resultados do próximo trimestre.



