A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) afirmou que espera certificar o 737 MAX 7 da Boeing até o verão no hemisfério norte (em torno de julho) e prevê que a fabricante poderá ampliar a produção da aeronave novamente neste ano.
O órgão também previu que o MAX 10, maior variante da família, deve receber a certificação até dezembro, segundo o cronograma mais recente.
As previsões surgem após a Boeing ter conseguido avançar com os testes necessários para liberar os jatos para entrega aos clientes.
O calendário projetado para certificação, no entanto, contrasta fortemente com o ritmo de aprovação das variantes anteriores do 737 MAX, liberadas de forma acelerada para produção em série.
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O MAX 8 realizou seu primeiro voo em 29 de janeiro de 2016 e obteve a certificação da FAA em 8 de março de 2017 — um intervalo de cerca de 14 meses. O MAX 9, que voou pela primeira vez em 13 de abril de 2017, foi certificado em apenas 10 meses, em 16 de fevereiro de 2018.
Essas certificações aceleradas ocorreram em um período em que a FAA delegava diversas tarefas de homologação à própria Boeing. O modelo acabou se mostrando desastroso: dois acidentes fatais com o MAX em 2018 e 2019 causaram 346 mortes, seguidos pelo incidente do tampão de porta em janeiro de 2024 em um voo da Alaska Airlines e uma série de escândalos de qualidade e segurança que levaram a uma ampla revisão dos processos de fabricação da Boeing.

Quase oito anos desde o primeiro voo
O MAX 7, menor versão da família, voou pela primeira vez em 16 de março de 2018 — há mais de oito anos — enquanto o MAX 10 fez seu voo inaugural em 18 de junho de 2021. Os longos processos de certificação incluem uma postura muito mais rigorosa da FAA, que passou a validar cada alteração de projeto e função de sistema, consequência direta das falhas anteriores de delegação, mas também atrasos relacionados à pandemia e problemas de qualidade na linha de montagem.
A Boeing vem promovendo uma reestruturação em seu sistema de produção sob supervisão próxima da FAA. Nos últimos meses, a empresa consultou o órgão regulador sobre aumentos de ritmo, e o comunicado mais recente da FAA indica que a produção pode crescer ainda mais no fim de 2026, embora a agência não tenha divulgado uma nova meta mensal.
Atualmente, a fabricante está elevando a cadência de produção para 47 aeronaves por mês em 2026. A Boeing também prepara a linha de Everett, em Washington, dedicada a widebodies, para produção de modelos de corredor único, como parte de um esforço mais amplo para estabilizar e, futuramente, ampliar as entregas do 737.

O cronograma de certificação da FAA para o MAX 7 e o MAX 10 representa um marco importante para a Boeing, que tenta recuperar a confiança dos clientes e avançar na liberação de sua carteira de pedidos. No entanto, a agência reforça que não abrirá mão do rigor nas análises de segurança, e os meses restantes de testes e documentação devem ser submetidos a intensa fiscalização.
A retomada gradual do MAX 7 e do MAX 10 no processo de certificação, somada ao aumento de produção, indica que o pior da crise regulatória da Boeing pode estar ficando para trás.



