A Boeing pode garantir um dos maiores pedidos de aeronaves dos últimos anos durante o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, onde acordos comerciais e industriais devem ser o foco central das negociações.
Segundo diversas fontes nos Estados Unidos e na China, a Boeing negocia um pacote que pode envolver até 500 jatos 737 MAX, além de cerca de 100 widebodies, incluindo 787 Dreamliner e 777X.
O CEO da Boeing, Kelly Ortberg, deve integrar a delegação de grandes empresários americanos que acompanhará Trump na viagem à China a partir de 14 de maio. O grupo inclui executivos de empresas como Apple, Tesla, Nvidia, BlackRock e Citigroup.
Ortberg reconheceu recentemente que a Boeing vê a cúpula como uma oportunidade importante, mas alertou que qualquer acordo depende fortemente das relações políticas entre Washington e Pequim.

“É um número expressivo”, afirmou Ortberg a analistas durante a divulgação de resultados da Boeing, sem detalhar o tamanho do possível pedido.
A China praticamente deixou de fazer grandes encomendas à Boeing desde 2017, período marcado pela paralisação do 737 MAX, disputas comerciais, pandemia e deterioração das relações geopolíticas entre as duas maiores economias do mundo.
Companhias aéreas estatais chinesas passaram a ampliar compras da Airbus, enquanto a Boeing enfrentou dificuldades com interrupções na produção e preocupações de segurança após uma série de crises envolvendo os programas 737 MAX e 787.
Apesar disso, a relação da indústria aeronáutica entre os dois países segue profundamente interligada.

Enquanto a Boeing não pode se dar ao luxo de ficar fora de um dos maiores mercados de aviação do mundo, a China ainda depende fortemente de tecnologia aeroespacial ocidental, especialmente motores, aviônicos e sistemas críticos usados em programas nacionais como o COMAC C909 e C919.
O C919, resposta chinesa às famílias Airbus A320neo e Boeing 737 MAX, utiliza amplamente fornecedores estrangeiros, incluindo motores CFM International e sistemas de voo ocidentais, apesar dos esforços de Pequim para ampliar a autonomia aeroespacial.
Um grande pedido da Boeing teria, portanto, peso político e industrial além da aviação comercial, podendo sinalizar uma trégua temporária nas tensões entre os dois países. Mesmo assim, a incerteza permanece elevada às vésperas da cúpula.

As relações entre Washington e Pequim seguem instáveis em meio a disputas envolvendo Taiwan, controles de exportação, tecnologias de inteligência artificial, tarifas e as consequências do recente conflito envolvendo Irã e países do Golfo.
O governo chinês também costuma usar compras de aeronaves como instrumento diplomático em negociações com os Estados Unidos.
O último grande pedido anunciado durante uma visita de Trump à China ocorreu em 2017, quando Boeing e China Aviation Supplies Holding assinaram acordos para 300 aeronaves avaliadas em mais de US$ 37 bilhões a preços de tabela.
Companhias aéreas chinesas seguem como importantes operadoras do 737 MAX, apesar das tensões políticas. Mais de uma dezena de empresas voam atualmente com o modelo, incluindo Air China, China Southern Airlines, Hainan Airlines, Xiamen Airlines e Shanghai Airlines.



