A Boeing concluiu uma série de testes em voo com um 787-9 Dreamliner equipado com uma entrada de ar do motor mais curta, tecnologia que pode reduzir o peso e o arrasto aerodinâmico de futuras naceles de motores a jato.
A campanha ocorreu na instalação de testes da Boeing em Glasgow, Montana, e foi finalizada no fim de julho. Segundo a Aviation Week, a empresa agora analisa os dados coletados durante os voos.
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A aeronave utilizada era um 787-9 com motor Trent 1000 destinado à Lufthansa, e foi empregada na mais recente campanha ecoDemonstrator Explorer da Boeing. O avião decolou de Columbia, Carolina do Sul, para Montana em 16 de julho e retornou em 2 de agosto.
Dados de rastreamento de voos indicam que o Dreamliner acumulou cerca de 52 horas de voo em 12 voos, incluindo o translado inicial para Montana. A Boeing não revelou o número exato nem a natureza dos testes realizados.
A empresa informou à publicação que a campanha foi concluída antes do previsto e gerou os dados necessários para avaliação e desenvolvimento adicional das tecnologias em estudo.
Um dos principais experimentos envolveu o que a Boeing chama de Next Generation Inlet, desenvolvido em parceria com a Rolls-Royce no âmbito do programa CLEEN (Continuous Lower Energy, Emissions and Noise) da FAA.

Controle de ruído
Uma entrada de ar mais curta pode reduzir o peso e o arrasto da nacele, fator cada vez mais relevante para motores a jato de alto índice de derivação e fans de grande diâmetro. Existe, porém, uma compensação: ao reduzir o comprimento da entrada, diminui-se também a superfície interna disponível para tratamento acústico, o que pode dificultar o controle do ruído do fan.
Por isso, a Boeing equipou a entrada modificada com um novo tratamento acústico. O objetivo imediato era verificar se o design mais curto poderia proporcionar uma melhoria de até 0,5% na eficiência de combustível sem aumentar o ruído do 787.
O conceito vem sendo desenvolvido há cerca de uma década. A Rolls-Royce iniciou o projeto e a análise de uma entrada curta para o Trent 1000 em 2016. Os testes em solo ocorreram em 2018 no NASA John C. Stennis Space Center, no Mississippi.
Posteriormente, a Rolls-Royce instalou o conceito em seu Boeing 747-200 de testes para avaliações aerodinâmicas em voo no fim de 2022. A campanha de 2026 transferiu a tecnologia para um 787 e incorporou o tratamento acústico da Boeing ao experimento.
Versões futuras podem gerar ganhos maiores. A Boeing estima que uma entrada curta combinada a uma nacele mais compacta pode, no futuro, reduzir o consumo de combustível em até 2% e o ruído em até 1,5 dB. Essas metas também constam na documentação da FAA para o programa CLEEN.

Abordagens distintas para o ruído aeroportuário
A campanha com o 787 não se limitou a modificações na instalação do motor. A Boeing também testou o que chama de "operações inteligentes", um conjunto de procedimentos otimizados de aproximação e decolagem para reduzir tanto o consumo de combustível quanto o ruído em aeroportos.
Segundo a revista, a Boeing acredita que esses procedimentos podem diminuir o ruído em mais 3 a 5 dB. A empresa ainda não divulgou os resultados dos voos realizados em Montana.
A campanha mais recente foi a 13ª conduzida no âmbito do programa ecoDemonstrator desde o lançamento da iniciativa em 2012. O fabricante utiliza aeronaves de produção e de testes dedicadas para avaliar tecnologias antes de decidir se elas serão aplicadas em futuros programas comerciais.
Nos últimos anos, a Boeing introduziu o formato mais enxuto "ecoDemonstrator Explorer" para campanhas voltadas a um número menor de tecnologias específicas. A Lufthansa participou do programa de 2026 fornecendo o 787-9 utilizado nos testes.
