A Boeing recebeu um contrato com teto de US$ 131,23 bilhões (cerca de R$ 675 bilhões) que pode abranger praticamente todos os aspectos do programa F-15 na próxima década, desde a fabricação de novos caças até a modernização e o suporte às aeronaves já em operação.
O valor excepcionalmente alto, anunciado pelo Departamento de Guerra dos EUA na segunda-feira, 24, não representa uma encomenda imediata de US$ 131 bilhões para a Boeing. O Eagle Crest é um contrato do tipo entrega indefinida/quantidade indefinida (IDIQ), no qual pedidos individuais podem ser feitos conforme surgirem as necessidades.
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Apenas US$ 343.740 em recursos de pesquisa, desenvolvimento, teste e avaliação do ano fiscal de 2026 foram comprometidos no momento da assinatura do contrato.
Ainda assim, o acordo oferece à Boeing uma estrutura potencialmente valiosa de longo prazo para o F-15. O escopo inclui explicitamente produção de aeronaves, integração de sistemas, modernização, atualizações, retrofit e sustentação, além do estabelecimento de capacidades adicionais de manutenção em depósitos.

Os pedidos podem ser feitos inicialmente até 24 de agosto de 2031, com opção de prorrogação do período de encomendas até agosto de 2036. Os trabalhos podem se estender até agosto de 2037.
O contrato foi concedido de forma exclusiva à Boeing, que fabrica o mais recente F-15EX Eagle II em sua unidade de St. Louis, Missouri.
O que significa o Eagle Crest
O Eagle Crest não é uma nova versão do F-15 nem um pacote de modernização. O nome identifica o instrumento contratual criado pelo Life Cycle Management Center da Força Aérea dos EUA para consolidar uma ampla gama de trabalhos futuros do F-15 sob uma única estrutura.
Quando a Força Aérea revelou a intenção de conceder o Eagle Crest à Boeing em novembro de 2025, descreveu um escopo que vai além da produção e manutenção. O contrato pode também abranger projeto e desenvolvimento de hardware e software, produção de subsistemas e componentes, estudos, kits de modificação e futuras melhorias do sistema de armas do F-15.
Isso torna mais compreensível o teto de US$ 131,23 bilhões. O valor estabelece o potencial de negócios que pode ser encomendado via Eagle Crest, sem obrigar o governo dos EUA a gastar esse montante.
O arranjo pode atender tanto a frota americana quanto clientes de Foreign Military Sales (FMS). Isso pode incluir aeronaves F-15EX adicionais para a Força Aérea dos EUA, novos caças de exportação e grandes programas de modernização para operadores já existentes.

Sete países citados, incluindo dois que não operam o F-15
O Departamento de Guerra informou que o Eagle Crest envolve possíveis vendas militares ao exterior para Japão, Israel, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Cingapura, Indonésia e Polônia.
A maioria desses nomes não surpreende. Japão, Israel, Arábia Saudita, Coreia do Sul e Cingapura operam diferentes versões do F-15, e vários têm grandes programas de atualização ou aquisição em andamento.
Indonésia e Polônia chamam atenção porque nenhuma delas opera atualmente o caça. A inclusão da Indonésia é especialmente curiosa. Jacarta assinou um memorando de entendimento com a Boeing em agosto de 2023 para até 24 aeronaves F-15EX, que receberiam a designação F-15IDN.
A aquisição proposta não avançou para um contrato firme. Em fevereiro de 2026, a Boeing afirmou que o F-15 não era mais uma campanha ativa na Indonésia e se recusou a explicar o motivo, remetendo questões sobre a possível venda governo a governo às autoridades dos EUA e da Indonésia.
Seis meses depois, porém, a Indonésia é citada explicitamente pelo governo dos EUA entre os países abrangidos pelo Eagle Crest.

Sua presença não significa que a aquisição do F-15IDN tenha sido retomada. Um contrato IDIQ pode acomodar demandas potenciais que nunca se concretizam, e a Indonésia pode simplesmente permanecer no escopo contratual devido ao processo anterior de FMS. Mas a referência chama atenção, considerando a declaração da Boeing no início do ano de que a campanha não estava mais ativa.
A Polônia apresenta um caso diferente. A Boeing promove ativamente o F-15EX em Varsóvia desde pelo menos 2023. A empresa ofereceu o caça como potencial aquisição via FMS e continuou a campanha na Polônia em 2025, incluindo uma proposta que combina o F-15EX com o MQ-28 Ghost Bat, aeronave de combate colaborativa.
A Polônia não selecionou nem encomendou o F-15EX. Seus planos para aviação de combate já incluem F-16, F-35A e FA-50 sul-coreanos.
Sua inclusão no Eagle Crest, portanto, não equivale a uma compra ainda não divulgada, mas confirma que a estrutura contratual dos EUA foi criada para acomodar um eventual programa polonês do F-15, caso Varsóvia decida avançar.

Produção do F-15 pode seguir bem além da próxima década
O novo acordo também indica o futuro excepcionalmente longo ainda previsto para um caça cujas origens remontam ao final dos anos 1960.
O primeiro F-15 voou em 1972 e entrou em serviço na Força Aérea dos EUA em 1976. Meio século depois, a Boeing produz o amplamente redesenhado F-15EX, que combina a célula básica do Eagle com comandos fly-by-wire, radar AESA, cockpit digital, modernos equipamentos de guerra eletrônica e arquitetura aberta de sistemas de missão.
A Força Aérea dos EUA está adquirindo o F-15EX para substituir os antigos F-15C/D, enquanto Israel encomendou sua própria versão de nova geração. Frotas existentes em países como Japão e Coreia do Sul também passam por extensos processos de modernização.
Com o Eagle Crest permitindo pedidos até a década de 2030 e trabalhos até 2037, o contrato oferece à Boeing um mecanismo para continuar produzindo, modificando e dando suporte ao Eagle muito depois de o modelo completar 60 anos desde o primeiro voo.
