O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira (7) a entrada da American Airlines no capital da Azul, operação que faz parte da reestruturação financeira da companhia aérea brasileira.
A American investirá US$ 100 milhões na Azul e passará a deter 8,66% de seu capital. A operação havia sido anunciada em fevereiro, durante o processo de recuperação judicial da empresa nos Estados Unidos, mas dependia da autorização do órgão antitruste brasileiro.
Além da participação acionária, a American terá direito a indicar um integrante para o Conselho de Administração da Azul e outro para seu Comitê Estratégico, responsável por discutir temas como plano de negócios, expansão da malha, investimentos e parcerias comerciais.
A Superintendência-Geral do Cade já havia aprovado a operação sem restrições em julho. A Abra Group, controladora da Gol e da Avianca, recorreu da decisão, o que levou o caso ao Tribunal do Cade.
American terá restrições no acesso a informações
O colegiado aprovou o investimento por unanimidade, mas estabeleceu medidas para impedir que a American tenha acesso a informações concorrencialmente sensíveis da Azul.
O representante da empresa norte-americana deverá deixar reuniões do Conselho de Administração ou do Comitê Estratégico quando forem discutidos assuntos relacionados a mercados nos quais American e Azul concorrem. A saída deverá ser registrada em ata.
Eventuais alterações no acordo entre as duas empresas também deverão ser comunicadas ao Cade.
A entrada da American ocorre poucos meses depois de outra grande companhia aérea dos Estados Unidos ampliar sua presença na Azul. Em fevereiro, o Cade aprovou o aumento da participação da United Airlines de 2,02% para aproximadamente 8%.

A presença das duas concorrentes norte-americanas no capital da Azul foi um dos argumentos apresentados pela Abra em seu recurso. O grupo alegou que as participações combinadas poderiam afetar a concorrência e destacou os direitos de governança concedidos à American.
O investimento foi estruturado por meio de warrants concedidos à American durante a reorganização financeira da Azul. A companhia brasileira entrou com pedido de recuperação judicial sob o Chapter 11 nos Estados Unidos em maio de 2025 e concluiu o processo em fevereiro deste ano.
American e Azul já mantêm uma parceria comercial que inclui compartilhamento de voos. A participação acionária amplia essa relação, mas as restrições impostas pelo Cade procuram separar a atuação da American como acionista das áreas em que as duas companhias disputam passageiros.
