O CEO da Boeing, Kelly Ortberg, classificou o compromisso da China de adquirir 200 aviões como o pontapé inicial e afirmou esperar novos pedidos de companhias aéreas chinesas nos próximos anos. Em conferência nos Estados Unidos na quarta-feira, 27, Ortberg disse que o acordo reabriu o mercado de narrowbodies da Boeing na China pela primeira vez em quase dez anos, após uma paralisação de pedidos causada por tensões comerciais entre Washington e Pequim.
O compromisso de 200 aviões, anunciado durante a visita do presidente Donald Trump à China no início deste mês, é um acordo totalmente novo e não inclui pedidos anteriores não divulgados. Os cronogramas de entrega ainda não foram definidos, segundo relatos no exterior.
As aeronaves, possivelmente do modelo 737 MAX, devem ser distribuídas principalmente entre as três maiores companhias aéreas estatais da China: Air China, China Eastern Airlines e China Southern Airlines.
Ortberg destacou que, após o governo chinês assumir o compromisso com um lote de narrowbodies, ele os distribui entre as companhias aéreas. A Boeing então negocia os pedidos firmes individualmente com cada empresa. “O compromisso inicial de 200 será convertido em pedido ainda este ano”, afirmou. Ele acrescentou que “nunca teve a intenção de ir à China e voltar com um pacote de 500 pedidos”.

Mercado esperava 500 ou mais aviões
O tamanho do acordo decepcionou alguns investidores, que esperavam um pacote de cerca de 500 aviões, conforme fontes haviam informado à Reuters antes do encontro entre Trump e Xi. O próprio Trump declarou, após retornar, que as compras da Boeing poderiam chegar a até 750 aeronaves.
A China pretende adquirir mais algumas centenas de aviões da Boeing, mas não anunciará o pedido total de uma só vez, optando por divulgar os compromissos em etapas.
No entanto, novas compras dependem do cumprimento, por parte da Boeing, da obrigação de fornecer peças de reposição essenciais para aviões já em operação nas companhias aéreas chinesas, segundo fontes da Reuters. As empresas chinesas têm enfrentado dificuldades para obter componentes em meio às tensões comerciais.

O ministério do Comércio da China confirmou na semana passada o acordo de 200 aviões e destacou que os Estados Unidos fornecerão garantias de suprimento para peças e componentes de motores aeronáuticos, condição que a fonte descreveu como pré-requisito fundamental para novos pedidos.
A média anual de pedidos da Boeing pela China caiu de 127 entre 2005 e 2017 para apenas seis por ano no período seguinte, devido ao impacto das disputas comerciais nas vendas. O novo compromisso representa uma reviravolta para a fabricante, que também enfrentou desafios de segurança e produção com a família 737 MAX.



