O CEO da United Airlines, Scott Kirby, afirmou que a empresa não pretende buscar novas consolidações no setor aéreo após a American Airlines recusar discutir uma possível fusão, conforme declarou em conferência para investidores da Bernstein, segundo a Reuters.
Kirby explicou que apenas uma transação de grande porte com um parceiro disposto faria sentido econômico para a United, mas essa alternativa não está mais disponível. “Portanto, não acredito que a United vá participar de qualquer consolidação por um período que eu consiga prever”, declarou.
A United confirmou em abril que a American Airlines rejeitou a proposta de fusão, encerrando o que seria o maior movimento de consolidação do setor aéreo dos Estados Unidos em mais de uma década. A proposta já havia sido discutida com o presidente dos EUA, Donald Trump, no fim de fevereiro.
Kirby descartou especulações sobre possíveis acordos menores, classificando a ideia como “idiota” e afirmando que tais movimentos “definitivamente não fazem parte do plano”. Também rejeitou a possibilidade de fusão com a JetBlue Airways, citando a necessidade de uma melhora significativa nas margens da JetBlue, algo que considerou “matematicamente quase impossível”.

O CEO da United também comentou sobre as perspectivas para as companhias de ultrabaixo custo, prevendo que elas ficarão “substancialmente menores” devido aos altos custos aeroportuários e à concorrência crescente das grandes empresas. Segundo ele, essas companhias tendem a se concentrar em rotas voltadas ao lazer, onde o modelo de negócios ainda se mostra viável.
A American Airlines apontou preocupações antitruste como principal motivo para recusar a aproximação da United, argumentando que a combinação seria prejudicial à concorrência e aos consumidores. Relatórios do setor também destacaram desafios regulatórios, com analistas observando que uma fusão entre United e American criaria um grupo com mais de 3.000 aeronaves, levantando questões relevantes de concorrência.

Outras tentativas recentes de fusão no setor aéreo dos EUA enfrentaram obstáculos significativos. A proposta da JetBlue para adquirir a Spirit Airlines foi barrada por um juiz federal no início de 2024, embora a Alaska Airlines tenha conseguido aprovação para comprar a Hawaiian Airlines.
O debate sobre fusões ocorre em meio ao colapso da Spirit Airlines no início deste mês, fato que reforça a intensidade da concorrência em segmentos do mercado aéreo norte-americano.



