A China estaria segurando aprovações para liberar entregas de jatos Airbus e sua documentação técnica, segundo fontes citadas pela Bloomberg. A medida envolveria pressão de Pequim para obter a certificação da Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA) para o COMAC C919, jato de corredor único produzido no país e projetado para concorrer com a família Airbus A320neo.
O congelamento das autorizações teria sido iniciado nas últimas semanas e afetado a documentação para novas aeronaves em entrada de serviço e certificações de peças de reposição. Isso trouxe mais incerteza ao cronograma de entregas da Airbus na China, mercado estratégico para o fabricante europeu.
Os atrasos ocorrem em meio a tensões comerciais persistentes entre China e União Europeia, incluindo disputas sobre tarifas para veículos elétricos e acesso ao mercado.
A COMAC busca há vários anos obter a certificação de tipo da EASA para o C919, requisito para vendas a companhias aéreas fora da China. A EASA ampliou sua presença em Xangai para apoiar o processo de certificação, mas o avanço segue lento. O C919 ainda estaria longe de receber a aprovação, o que limita seu potencial no mercado internacional.

A produção do C919 também enfrenta obstáculos. A COMAC entregou apenas seis aeronaves neste ano, com a fabricação limitada por falta de mão de obra e dependência de fornecedores ocidentais. Esses desafios dificultam a ampliação da produção e o atendimento à demanda potencial.
Enquanto isso, a Airbus continua a expandir sua presença na China. A empresa mantém uma linha de montagem final no país e garantiu uma série de grandes encomendas de companhias aéreas chinesas. Entre os acordos recentes estão o pedido da China Southern para 137 jatos da família A320neo e o contrato da China Eastern para 101 aeronaves A320neo, avaliados em US$ 15,8 bilhões.
A Boeing, por sua vez, tem enfrentado acesso restrito ao mercado chinês nos últimos anos. O fabricante norte-americano rompeu recentemente um impasse de quase uma década com um acordo preliminar para 200 aeronaves, embora o cliente não tenha sido divulgado e o contrato ainda não tenha sido assinado.

Apesar de o atual ritmo lento das aprovações regulatórias não representar risco financeiro imediato para a Airbus, que possui uma carteira robusta de pedidos chineses, a situação eleva o risco político. O uso de processos regulatórios como instrumento em questões diplomáticas mais amplas já foi observado em disputas anteriores envolvendo tanto Airbus quanto Boeing.
O cenário evidencia a complexa relação entre política industrial, comércio internacional e as ambições do setor aeroespacial chinês, que busca consolidar o C919 como alternativa viável aos modelos ocidentais consagrados.



