A Embraer tem um grande dilema nos próximos anos, o que fazer com o E175-E2, menor jato da nova família de aeronaves regionais. Sem nenhum cliente oficial até agora (exceto um compromisso de uma empresa americana), o avião teve sua entrada em serviço postergada para 2024.
Mas, segundo o site Leeham News, a situação parece mais indefinida. Segundo uma fonte, a Embraer e a Pratt & Whitney teriam chegado a um acordo para suspender por três anos o desenvolvimento e a produção do motor PW1700G, versão usada pelo E175-E2.
A fabricante do motor GTF afirmou ao site que ela e a Embraer avaliam o momento certo para colocar o E175-E2 em serviço.
A falta de previsão de início da operação do jato regional reforça a impressão que o futuro da aeronave é complementamente dependente de mudanças nas cláusulas de escopo das companhias aéreas dos EUA.
O E175-E2 é muito pesado para se enquadrar nas atuais regras, que limitam os aviões usados pelas companhias aéreas regionais dos EUA a transportar até 76 passageiros e com um peso máximo de decolagem de 39 toneladas.

A Embraer esperava por um afrouxamento das regras pelos sindicatos de pilotos, porém, a mudança segue sem perspectivas. Na atual configuração, o E175-E2 não é atraente nos EUA, mercado para o qual foi pensado.
Conversão Passageiro para Cargueiro
Com poucas vendas, a família jatos de nova geração E2 tem se mantido majoritariamente com pedidos do E195-E2, a maior variante, com capacidade para 136 assentos.
A Embraer também tem conseguido uma boa quantidade de acordos para o E175 de primeira geração, único jato regional em produção que atende as cláusulas de escopo. A aeronave, no entanto, tem uma data-limite de produção, o ano de 2027, quando novas restrições de emissão de poluentes serão implementadas impedindo sua venda.

Uma solução a curto prazo para a fabricante parece ser o segmento de carga aérea. A Embraer cogita lançar um programa de conversão de E-Jets de passageiros para cargueiros (conhecido pela sigla P2F, de Passenger To Freighter) no ano que vem.
A empresa brasileira apresentou alguns dados sobre esse futuro programa, capaz de oferecer uma capacidade de 14 toneladas de carga com uma autonomia de cerca de 3.704 km.
A demanda por carga aérea tem crescido por conta da pandemia e do comércio eletrônico e os jatos E190 e E195 de primeira geração poderiam ser uma opção interessante para rotas de curto e médio alcance.
A Embraer estima que o segmento de cargueiros menores precisará de até 700 aeronaves nos próximos 20 anos. Tempo suficiente para que ela consiga receitas financeiras enquanto não decide o futuro de seus jatos regionais.
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