O Grupo Abra, dono da GOL Linhas Aéreas, ainda não decidiu qual de suas companhias aéreas operará os Embraer E195-E2 encomendados recentemente, mas já trabalha na preparação de pilotos para a introdução do novo modelo. Exectuviso da empresa também confirmaram que a possível incorporação da SKY Airline amplia as alternativas para a distribuição dos aviões.
As informações foram dadas por executivos da Abra durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre, em resposta a perguntas de analistas sobre o pedido de até 45 E195-E2.
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Segundo a companhia, a decisão de adquirir os jatos antes de definir seu operador foi motivada, entre outros fatores, pela possibilidade de assegurar posições de entrega relativamente próximas em um mercado no qual os slots dos fabricantes estão sendo ocupados rapidamente.
“Não tomamos uma decisão formal ainda”, afirmou um executivo da Abra ao ser questionado se os E2 serão utilizados pela GOL ou pela Avianca. O grupo disse que vinha estudando havia anos a introdução de uma aeronave de capacidade intermediária e considerou atraente a oportunidade de obter os aviões e posições antecipadas de entrega.
A Abra possui atualmente encomendas de Boeing 737 MAX e Airbus A320neo, além do acordo anunciado em maio para cinco E195-E2 firmes e direitos de compra para outros 45 jatos da Embraer. A nova aeronave permitirá ao grupo trabalhar com uma capacidade diferente daquela oferecida pelos principais modelos de corredor único de sua frota.
Os executivos disseram que a distribuição dos E2 será definida de acordo com as condições de mercado e a demanda quando as entregas se aproximarem. A Abra também pretende utilizar a flexibilidade de suas encomendas de Airbus e Boeing para ajustar o crescimento de capacidade nos próximos anos.

SKY entra nas possibilidades
Um dos pontos mais relevantes da resposta foi a confirmação de que a Abra não está analisando os E2 exclusivamente sob a perspectiva de GOL e Avianca.
Segundo o grupo, fazer a encomenda no nível da holding permite considerar sua malha como um conjunto, sem vincular antecipadamente os aviões a determinada região ou mercado. A aquisição da SKY Airline, caso seja concluída, acrescentará mais uma alternativa.
“A expansão da nossa rede com a transação que queremos concluir com a SKY nos dá também outro mercado”, afirmou um dos executivos.
A Abra informou na mesma apresentação que já obteve aprovações regulatórias no Chile, Brasil e Peru para a combinação com a SKY.
A possibilidade é particularmente relevante porque a companhia chilena opera atualmente uma frota baseada na família Airbus A320. A introdução do E195-E2 significaria, portanto, acrescentar um segundo fabricante à operação caso a Abra optasse por colocar os jatos na SKY.

Preparação de pilotos já começou a ser planejada
Apesar de ainda não revelar quem operará os aviões, a Abra já incluiu a preparação das tripulações no planejamento para receber os E2.
Um analista perguntou aos executivos se a expansão da frota de E2 na região poderia provocar falta de pilotos habilitados no modelo e uma disputa por profissionais já qualificados.
A Abra reconheceu que existe um risco associado à introdução de qualquer novo tipo de aeronave, mas afirmou não enxergar uma escassez geral de pilotos. A dificuldade potencial estaria na disponibilidade de profissionais já treinados especificamente para o E2.
Segundo o grupo, os acordos relacionados aos novos aviões incluem planos detalhados sobre a origem dos pilotos e seu treinamento. A disponibilidade de simuladores também foi considerada na preparação para a entrada do modelo em serviço.
A intenção é iniciar a formação com antecedência suficiente para evitar que a qualificação das tripulações se transforme em um gargalo quando os primeiros aviões forem entregues.
Após um início lento, em que apenas a Azul optou pelo modelo, a família E2 agora garantiu pedidos das três maiores companhias aéreas que operam no Brasil. A LATAM, por exemplo, receberá 14 jatos E195-E2 num curto intervalo de tempo, e já lançou diversas rotas onde colocará a aeronave em serviço.



