A Embraer avalia tecnologias para futuros programas de aeronaves, incluindo estruturas, asas, cockpits e sistemas de propulsão, enquanto se prepara para um possível novo ciclo de produtos além das atuais famílias de jatos comerciais e executivos.

O CEO da empresa, Francisco Gomes Neto, afirmou durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre que a empresa já conversa com potenciais fornecedores enquanto estuda novos conceitos de aeronaves tanto para aviação comercial quanto executiva.

“Estamos realizando estudos para um novo ciclo de produtos da Embraer, seja para jatos comerciais ou executivos”, disse Gomes Neto.

A declaração foi feita após questionamento sobre o interesse da Rolls-Royce em retornar ao mercado de motores para narrowbody, segmento atualmente dominado pela CFM International e Pratt & Whitney.

“Nesse sentido, estamos conversando com potenciais fornecedores de diferentes produtos para entender as novas tecnologias e assim por diante”, acrescentou.

Francisco Gomes Neto (Embraer)
Francisco Gomes Neto (Embraer)

Durante a parte da coletiva de imprensa, Gomes Neto afirmou que a Embraer investe em tecnologias como estruturas, asas e cockpits para estar pronta para um futuro programa de aeronaves, mas evitou indicar qual segmento a empresa pode priorizar.

“Ainda não é o momento de divulgar mais informações sobre isso porque ainda não temos uma decisão sobre o segmento que pretendemos atuar”, disse Gomes Neto.

O executivo também destacou que qualquer lançamento futuro dependerá não apenas dos planos internos da Embraer, mas também da maturidade das tecnologias disponíveis junto aos fornecedores.

Praetor 600E (Embraer)
Praetor 600E (Embraer)

“Isso não depende só de nós”, afirmou Gomes Neto. “Depende da tecnologia disponível no mercado para diferentes produtos.”

A Embraer também pretende evitar repetir o risco financeiro associado a grandes programas de aeronaves sem estrutura clara de mercado e financiamento.

“Sabemos que precisamos de um produto forte, com proposta de valor robusta e uma estratégia de financiamento sólida porque não queremos colocar em risco a saúde financeira da empresa”, disse Gomes Neto.

Incerteza tecnológica

As declarações da Embraer ocorrem em um momento de transição para fabricantes e fornecedores de aeronaves, com várias tecnologias em avaliação, mas sem consenso sobre o que definirá a próxima geração de aviões comerciais.

Propulsão a hidrogênio, sistemas híbrido-elétricos, turbofans avançados, combustíveis sustentáveis de aviação e novas arquiteturas aerodinâmicas estão em estudo no setor, mas nenhuma dessas soluções criou até agora as condições para o lançamento de uma aeronave totalmente nova.

A Boeing parece adotar uma abordagem evolutiva para seu próximo avião de corredor único, em vez de aguardar a maturação de uma tecnologia disruptiva. Relatos recentes indicam que a fabricante norte-americana estuda um projeto convencional de tubo e asa, com asas mais eficientes e motores turbofan carenados, evitando por ora conceitos mais radicais como propulsão open-fan ou asas com tirantes.

Motor CFM Rise (CFM)
Motor CFM Rise (CFM)

A Airbus, por sua vez, segue estudando tecnologias open-fan por meio do programa CFM RISE, além de avaliar caminhos de descarbonização de longo prazo, incluindo o hidrogênio. Mas a fabricante europeia ainda não definiu uma arquitetura específica para sua próxima geração de aviões de corredor único.

A Embraer já enfrentou limitações semelhantes em seus próprios estudos. A empresa avaliou anteriormente um novo turboélice para cerca de 70 a 100 passageiros, mas suspendeu o projeto após concluir que a tecnologia de motores disponível não proporcionaria ganho de eficiência suficiente para justificar o lançamento.

Essa experiência ajuda a explicar por que a Embraer mantém múltiplos caminhos em aberto.

Projeto de turboélice da Embraer está congelado até 2030 (Embraer)
Projeto de turboélice da Embraer está congelado até 2030 (Embraer)

Na aviação comercial, a empresa pode eventualmente precisar de uma aeronave acima do E195-E2, que hoje acomoda até 146 passageiros em configuração de classe única e deixa uma lacuna em relação aos Airbus A320neo e Boeing 737 MAX.

Na aviação executiva, a Embraer segue forte com as famílias Phenom e Praetor e dificilmente ignorará um segmento que se tornou um dos mais lucrativos para a companhia.