A Embraer reconheceu que a Airbus teve uma vantagem significativa na recente decisão da AirAsia de encomendar 150 aeronaves A220, apontando o relacionamento de longa data da companhia aérea malaia com o fabricante europeu como fator decisivo na disputa.
Durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre, o CEO Francisco Gomes Neto afirmou que a fabricante brasileira disputou ativamente o pedido com a família E2, mas destacou que a frota atual da AirAsia, composta apenas por Airbus, dificultou uma proposta concorrente.
“Eles operam exclusivamente Airbus, então ela tinha uma vantagem natural nesse contexto”, disse Gomes Neto na conferência.
O acordo representa um marco importante para a Airbus e para o programa A220, que ultrapassou a marca de 1.000 aeronaves encomendadas desde que o jato entrou no mercado como Bombardier CSeries há mais de uma década.

Desenvolvido originalmente pela canadense Bombardier, o programa enfrentou forte pressão financeira antes de a Airbus assumir o controle do projeto em 2018. Desde então, a Airbus reposicionou a aeronave no mercado como família A220, produzida nas variantes A220-100 e A220-300, de maior capacidade.
A cerimônia de anúncio ocorreu na linha de montagem da Airbus em Mirabel, no Canadá, com a presença do CEO da AirAsia, Tony Fernandes.
A AirAsia opera uma frota de fuselagem estreita composta principalmente por modelos da família A320, o que tornou a disputa especialmente complicada para a Embraer, apesar do menor peso operacional do E2 e das promessas de eficiência de combustível no segmento de jatos regionais.

Gomes Neto, no entanto, afirmou que a Embraer avaliou de forma positiva a concorrência e sugeriu que a companhia aérea analisou seriamente o E2 antes de optar pelo A220.
O A220-300 concorre diretamente com o E195-E2 da Embraer, enquanto o A220-100 tem sobreposição mais próxima com o E190-E2. A Airbus monta a aeronave principalmente em Mirabel, no Canadá, com capacidade adicional de produção em Mobile, Alabama.



