Já se passou uma década desde que a Embraer alcançou um momento decisivo em sua história na aviação comercial. Em 23 de maio de 2016, o E190-E2, primeiro modelo da nova família E-Jet E2, decolou de São José dos Campos para seu voo inaugural.
Com duração de três horas e vinte minutos, ele marcou o início de um novo capítulo para a empresa. Lançada no Paris Air Show em junho de 2013, com um programa de US$ 1,7 bilhão, a família E2 foi concebida como uma evolução incremental, porém altamente avançada, do E-Jet original.
A aeronave incorpora motores Pratt & Whitney PW1000G, um turbofan com engrenagem, que proporcionam maior eficiência no consumo de combustível. O E2 também trouxe asas redesenhadas, sistema de controle de voo fly-by-wire em circuito fechado e aviônicos Honeywell Primus Epic 2, reduzindo o tempo de transição dos pilotos para apenas 2,5 dias.
Ensaios em voo e entrada em operação
Os ensaios em voo transcorreram com poucos desafios. Em janeiro de 2018, a campanha de testes já acumulava 2.000 horas, apontando consumo de combustível 17,3% menor que o E190 original — superando a previsão inicial de 16%. Em 28 de fevereiro de 2018, o E190-E2 recebeu certificação de tipo simultaneamente da ANAC, FAA e EASA.
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A aeronave entrou em operação em 24 de abril de 2018, com a norueguesa Widerøe, que empregou o jato de 114 assentos em rotas entre Bergen e Tromsø. No primeiro ano, a Widerøe alcançou confiabilidade de despacho de 98,5%.
O E195-E2, maior da família e concorrente direto do Airbus A220-300, veio na sequência, obtendo certificação em abril de 2019. A Azul foi a primeira operadora do modelo.
Já o menor integrante da família, o E175-E2, enfrenta atrasos. Seu peso impede conformidade com as cláusulas de escopo dos Estados Unidos, que limitam o peso máximo de decolagem a 39.000 kg (86.000 lb). A Embraer suspendeu o desenvolvimento em fevereiro de 2022 e, desde então, o cronograma do modelo permanece congelado.

Pedidos firmes da família E2 impulsionam carteira da Embraer no 1T26
Enquanto o E190-E2 celebra dez anos do primeiro voo, os dados mais recentes da carteira de pedidos da Embraer indicam demanda sólida pela família E2, especialmente pelo E195-E2.
Segundo o relatório do primeiro trimestre de 2026 (1T26), a carteira total de pedidos firmes da unidade de Aviação Comercial da Embraer soma US$ 15,0 bilhões, aumento de 50% em relação ao 1T25.

No portfólio E2, os números mostram o seguinte panorama de pedidos firmes:
| Modelo | Encomendas firmes | Entregas acumuladas | Pedidos pendentes |
|---|---|---|---|
| E190-E2 | 65 | 34 | 31 |
| E195-E2 | 424 | 169 | 255 |
| Família E2 | 489 | 203 | 286 |
Fonte: Relatório do 1º trimestre de 2026.
A carteira do E195-E2 é especialmente robusta, com 255 aeronaves a entregar. O volume é impulsionado por grandes encomendas recentes, como a escolha da Finnair para até 46 E195-E2 (com 18 pedidos firmes adicionados à carteira no 1T26) e um pedido firme de 50 aeronaves pela norte-americana Avelo Airlines em setembro de 2025.

Desde o primeiro voo, há dez anos, a família E2 acumula 489 pedidos firmes, com 203 aeronaves já entregues e em operação comercial em todo o mundo. Entre os principais operadores estão Porter Airlines (52 E195-E2), Azul (43), KLM Cityhopper (25) e Binter Canarias (16).
Ao entrar na segunda década do programa, a Embraer segue aprimorando o modelo. Em julho de 2024, a empresa anunciou melhorias de desempenho para o E195-E2, reduzindo o consumo de combustível em 2,5% e ampliando o alcance para 3.000 milhas náuticas.



