A Embraer revisou para cima duas de suas principais projeções financeiras para 2026 após registrar receita recorde para um segundo trimestre, resultado que refletiu melhora na rentabilidade e na geração de caixa da fabricante.

A empresa informou receita de R$ 11,3 bilhões entre abril e junho, alta de 10% em relação ao mesmo período do ano passado e o maior faturamento já obtido pela companhia para um segundo trimestre.

Apesar do resultado, a Embraer manteve inalteradas as metas para o ano de entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais, de 160 a 170 jatos executivos e registrar receita consolidada entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões. A fabricante, porém, passou a projetar margem EBIT ajustada entre 10% e 10,6%, acima da estimativa anterior de 8,7% a 9,3%, além de fluxo de caixa livre ajustado de pelo menos US$ 400 milhões, o dobro da previsão anterior de US$ 200 milhões. Segundo a companhia, a revisão leva em conta um crédito tributário, a isenção de tarifas e uma perspectiva mais favorável para os negócios.

A margem EBIT ajustada mede quanto a empresa espera gerar de lucro operacional em relação à receita, desconsiderando efeitos extraordinários. Na prática, a nova projeção indica que a Embraer acredita que conseguirá obter um retorno maior com o mesmo volume de vendas previsto para 2026.

Luxair E190-E2
Luxair E190-E2 | Embraer

Já o fluxo de caixa livre representa o dinheiro que permanece no caixa após as despesas operacionais e os investimentos. Ao dobrar essa projeção, a fabricante indica que espera encerrar o ano com uma posição financeira mais robusta, o que amplia sua capacidade de investir em novos programas e reduzir endividamento.

No segundo trimestre, o EBIT ajustado atingiu R$ 1,5 bilhão, equivalente a uma margem de 13,4%. O fluxo de caixa livre ajustado, sem considerar a Eve Air Mobility, foi de R$ 2 bilhões, impulsionado pelo desempenho operacional, entradas de caixa relacionadas à venda de aeronaves e um crédito tributário extraordinário.

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O lucro líquido ajustado cresceu para R$ 1,1 bilhão, ante R$ 890,3 milhões no segundo trimestre de 2025. O lucro líquido atribuível aos acionistas mais do que dobrou, passando de R$ 448,9 milhões para R$ 1 bilhão.

Phenom 300EV
Phenom 300EV | Embraer

Entre as unidades de negócio, Defesa & Segurança registrou o maior crescimento de receita, com alta de 22%, para R$ 1,5 bilhão, impulsionada pelo avanço da produção e do reconhecimento de receitas do cargueiro KC-390 Millennium. A Aviação Executiva aumentou a receita em 19%, para R$ 3,7 bilhões, enquanto Serviços & Suporte avançou 11%, para R$ 2,9 bilhões. Na Aviação Comercial, a receita recuou 2%, para R$ 3,2 bilhões, já que a valorização do real frente ao dólar mais do que compensou o aumento nas entregas de aeronaves.

A Embraer entregou 65 aeronaves entre abril e junho, melhor resultado para um segundo trimestre em 16 anos e 7% superior ao registrado um ano antes. No acumulado do primeiro semestre, as entregas chegaram a 109 aviões, cerca de 20% acima das 91 unidades entregues no mesmo período de 2025.

A carteira de pedidos atingiu o recorde de US$ 34,5 bilhões, valor 16% superior ao de um ano antes e que marcou o sétimo trimestre consecutivo de crescimento.

As projeções financeiras divulgadas pela Embraer não incluem a Eve Air Mobility, que divulga seus resultados separadamente desde que passou a ter ações negociadas na Bolsa de Nova York.