O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi oficialmente notificado pelo NTSB dos Estados Unidos sobre a investigação do incidente envolvendo um Embraer E175 da Envoy Air e o Marine One, helicóptero que transportava o presidente Donald Trump.
A participação brasileira ocorre porque o Brasil é o Estado de projeto do E175 (e não E170, como citado por alguns veículos de imprensa), conforme as regras do Anexo 13 da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO). O NTSB também incluiu na investigação a Administração Federal de Aviação (FAA), o Departamento da Marinha dos Estados Unidos e a Envoy Air.
O incidente ocorreu em 4 de agosto, por volta das 14h34 no horário local, cerca de 2 milhas (3,2 km) ao norte do Aeroporto Nacional Ronald Reagan de Washington (DCA).
O Marine One, um Sikorsky VH-3D, havia acabado de decolar do Ellipse, área próxima à Casa Branca, quando o voo 3742 da Envoy Air deixou a pista 1 do Reagan National com destino a Pensacola, na Flórida.
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Segundo a estimativa preliminar da FAA, as aeronaves chegaram a ficar separadas lateralmente por 0,82 milha náutica (1,52 km) e verticalmente por cerca de 700 pés (213 metros). O NTSB ainda analisa os dados de vigilância para determinar a distância mínima definitiva.
O E170, matrícula N307LH, recebeu um aviso de tráfego do sistema anticolisão TCAS durante a subida. O primeiro oficial, que pilotava o avião, e o comandante não conseguiram localizar visualmente o helicóptero.
Os pilotos observaram no TCAS uma separação vertical de 600 pés quando o alvo passou atrás e à direita da posição do E170 mostrada na tela. Não houve um Resolution Advisory (RA), alerta de maior gravidade no qual o sistema determina uma manobra para evitar uma possível colisão.

Falha de comunicação antes da decolagem
A investigação encontrou problemas na comunicação entre o Marine One e os controladores do Reagan National antes da partida do helicóptero.
Um acordo entre o esquadrão presidencial HMX-1 e os órgãos de controle de tráfego aéreo de Washington determina que, quando o presidente está a bordo, a tripulação deve entrar em contato com a torre do Reagan National três minutos antes da decolagem.
A partir desse aviso, as partidas do aeroporto devem ser interrompidas para proteger a operação presidencial.
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Segundo o NTSB, a primeira tentativa do Marine One de contatar a torre não foi recebida. A segunda chegou de forma fragmentada e completamente incompreensível. A tripulação ainda tentou transmitir o aviso por intermédio da instalação de helicópteros da Joint Base Anacostia-Bolling, também sem sucesso.
Sem receber a comunicação de três minutos, o controlador autorizou o voo 3742 da Envoy Air a decolar. O E170 estava deixando o solo praticamente no mesmo momento em que o Marine One ganhou altitude suficiente para finalmente estabelecer comunicação com a torre.
O controlador então informou ao helicóptero sobre o tráfego, e sua tripulação respondeu que tinha contato visual com o avião.

Obras na Casa Branca afetaram cobertura de rádio
A origem das dificuldades de comunicação foi relacionada à mudança temporária das operações presidenciais para o Ellipse devido às obras realizadas na Casa Branca.
Técnicos da FAA verificaram após o incidente que não havia linha de visada adequada entre o local e os equipamentos de transmissão e recepção usados na frequência de controle dos helicópteros.
A constatação ocorreu apesar de a FAA não possuir registros anteriores de falhas naquela frequência. Em uma reunião realizada em 30 de julho, cinco dias antes do incidente, integrantes do HMX-1 já haviam informado aos controladores que as comunicações estavam apresentando problemas esporádicos.
Após a ocorrência, a FAA transferiu os equipamentos de rádio de um bairro próximo para o topo da torre de controle do Reagan National. Testes posteriores realizados com duas aeronaves do HMX-1 no Ellipse e nas proximidades não identificaram novas deficiências.
O episódio ocorreu pouco mais de um ano e meio após a colisão entre um Bombardier CRJ700 da American Eagle e um helicóptero militar Sikorsky UH-60 Black Hawk nas proximidades do Reagan National. O acidente, em 29 de janeiro de 2025, matou as 67 pessoas que estavam nas duas aeronaves e levou a FAA a impor novas restrições à operação simultânea de helicópteros e aviões comerciais na região.
O Marine One e o E170 da Envoy Air prosseguiram seus voos normalmente após a ocorrência. Não houve feridos nem danos às aeronaves. A investigação do NTSB permanece aberta.


