A fabricante norte-americana Aerion Corporation começou a testar nesta semana uma maquete do AS2 em túnel de vento, marcando uma nova fase no projeto que pode originar o primeiro jato executivo supersônico do mundo. Os testes estão sendo conduzidos pela empresa europeia de pesquisa aeroespacial Onera em Modane, na França.
As provas em túnel de vento vão ajudar a Aerion a testar na prática e otimizar o projeto da aeronave, que precisa voar na velocidade do som sem causar as importunações do estrondo sônico.
No passado, o Concorde foi proibido de voar acima de Mach 1 sobre regiões habitadas nos EUA por conta de seu alto nível de ruído causado pelo “sonic boom”, o que acabou limitando as rotas do lendário avião anglo-francês.
“Embora existam tecnologias de modelagem por computador cada vez mais sofisticadas, o teste de túnel de vento continua sendo um componente-chave no ciclo de desenvolvimento”, disse o diretor de teste e avaliação do sistemas da Aerion, Bob Lewis. “Certos aspectos do projeto da aeronave permanecem difíceis de modelar totalmente virtualmente e ainda requerem validação por meio de testes em túnel de vento. Estamos trabalhando com os melhores construtores de modelos de túnel de vento do mundo e os líderes globais em tecnologia de túnel de vento para validar nossas descobertas virtuais e garantir que o design AS2 supere as expectativas.”
Por se tratar de um projeto totalmente novo e com capacidades e requisitos sem precedentes, a própria Aerion criou as ferramentas e softwares para projetar o AS2. “Essas soluções inovadoras de projeto de engenharia fornecem milhares de pontos de dados para desenvolver a forma aerodinâmica com um alto nível de fidelidade e detalhes”, acrescentou Lewis.
A empresa trabalha com um prazo de lançamento otimista: o primeiro voo do AS2 está programado para 2024 e a certificação e entrada em serviço para 2026. A Aerion, com sede em Reno, no estado de Nevada, iniciou o desenvolvimento da aeronave há seis anos.
Segundo dados da fabricante, o AS2 é projetado para transportar entre 8 e 10 passageiros com alcance de 7.780 km voando a Mach 1.4 (1.728 km/h). O avião será impulsionado por três motores General Electric da linha Affinity, desenvolvimento especificamente para aviões comerciais supersônicos.
A Aerion planeja fabricar 300 aeronaves supersônicas durante sua primeira década de produção. É uma cadência de montagem comparável a do jato leve HondaJet, que soma cerca de 150 unidades entregues desde 2015, quando chegou ao mercado. É um ritmo e tanto para um avião altamente complexo e que deve custar cerca de US$ 120 milhões ou mais.
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