A Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA adiou a certificação do Boeing 737 MAX 10 após a identificação de um novo problema de software no computador de gerenciamento de voo, revelado justamente quando a maior variante da família parecia estar a poucos dias da aprovação.
O administrador da FAA, Bryan Bedford, confirmou nesta segunda-feira que a certificação não avançará até que o órgão esteja satisfeito com a resolução do problema.
“Nós vamos adiar o 10 até termos certeza de que não há mais nenhum problema aqui”, disse Bedford a jornalistas no Aeroporto Nacional Reagan, em Washington.
A decisão muda abruptamente as perspectivas para um programa de certificação que já estava em sua fase final. O diretor de operações da Alaska Airlines, Jason Berry, afirmou na semana passada que a companhia esperava a aprovação da FAA até o fim de setembro, enquanto o CEO da Boeing, Kelly Ortberg, descreveu a certificação como “muito próxima” em 16 de setembro.
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A Boeing já havia concluído os voos de teste do MAX 10, restando apenas a documentação e a análise regulatória como etapas finais. A Alaska planeja receber 22 unidades do MAX 10 em 2027, com a primeira aeronave prevista para chegar na próxima primavera e início das operações comerciais entre abril e meados de maio.

O novo atraso ocorre após a descoberta de um problema envolvendo as versões 14 e 14.1 do software do computador de gerenciamento de voo. Conforme noticiado pelo Air Data News no domingo, a falha pode fazer com que o modo de navegação vertical, ou VNAV, se desligue em uma sequência específica de eventos após uma arremetida.
O MAX 10 utilizou a versão 14.1 durante seu programa de voos de certificação. O menor 737 MAX 7, que recebeu a certificação da FAA em 3 de agosto, foi aprovado com a versão 14.
GE Aerospace é a fornecedora do software
Bedford identificou a GE Aerospace como fornecedora do software e afirmou que a empresa pode acelerar o desenvolvimento de uma correção devido à atenção dedicada ao problema.
Ele não estimou quanto tempo pode durar o atraso do MAX 10, dizendo não saber se a correção levará dias, semanas ou meses.
A FAA também está formando um Conselho de Revisão de Ações Corretivas para analisar o problema de software. A Boeing afirmou que continuará seguindo as orientações do órgão regulador enquanto o MAX 10 avança no processo de certificação.

Diversas companhias aéreas dos Estados Unidos já tomaram medidas em relação ao software afetado. United Airlines e Southwest Airlines informaram à Boeing que não aceitarão aeronaves equipadas com as versões em análise, enquanto Alaska e American Airlines disseram que suas atuais frotas MAX não utilizam essas versões.
A WestJet confirmou nesta segunda-feira que parte de sua frota MAX utiliza o software em revisão pela FAA. A companhia canadense afirmou não ter registrado eventos relacionados em operação e que possui procedimentos e treinamentos para lidar com a situação.
A Boeing informou inicialmente aos operadores que uma correção definitiva do software era esperada para 2028, embora agora a fabricante trabalhe para antecipar a solução. A empresa não revelou quantas aeronaves MAX atualmente em operação estão equipadas com o software afetado.
