Uma falha atribuída à recepção dos sinais de GPS interrompeu completamente por quase 3 horas os voos dos jatos Embraer E195-E2 da Azul na noite de terça-feira (22), enquanto aeronaves do mesmo modelo continuaram operando normalmente em outras partes do mundo.
Dados históricos de rastreamento consultados pelo Airway mostram uma redução progressiva no número de E195-E2 da companhia no ar durante o fim da tarde. Por volta das 19h, nenhum avião do modelo aparecia em voo.
A paralisação ocorreu após a Azul informar que uma "instabilidade global no sistema de GPS" estava afetando sua frota E2. A companhia adotou medidas operacionais que provocaram cancelamentos e atrasos em diferentes aeroportos brasileiros. Segundo a empresa, cerca de 80 voos foram cancelados.
A Embraer confirmou ter recebido relatos de instabilidade de GPS que afetavam alguns tipos de aeronaves, entre eles o E2. A fabricante afirmou que o problema poderia interferir na programação das companhias, mas não comprometia a segurança dos voos.
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Segundo a empresa, os E2 contam com outros sistemas e procedimentos de navegação que permitem sua operação em condições de instabilidade do GPS.

E2 continuaram voando fora do Brasil
Apesar da referência a um problema global, não houve uma paralisação semelhante entre outros operadores do E190-E2 e E195-E2.
Airway acompanhou pelo AirNav Radar a movimentação da frota mundial durante o período em que os E2 da Azul deixaram de aparecer no ar. Jatos de outros clientes continuaram realizando voos, incluindo aeronaves da Porter Airlines na América do Norte, a maior operadora do modelo no mundo.
O acompanhamento foi mantido até a manhã desta quarta-feira (23), levando em consideração os períodos em que determinadas companhias normalmente não possuem voos programados. E2 foram observados em operação na Europa, Ásia, África, Oceania e América do Norte.
Até o momento, a Azul é a única operadora conhecida do E2 a confirmar publicamente uma interrupção dessa magnitude.
A diferença ainda não foi explicada. Não está claro se alguma característica dos equipamentos, software ou configuração utilizada pela Azul contribuiu para o problema, ou se a ocorrência esteve relacionada a outro fator específico da operação no Brasil.
Honeywell investiga problema
Os E190-E2 e E195-E2 utilizam a suíte de aviônicos Primus Epic 2, fornecida pela Honeywell. A empresa confirmou que investiga relatos relacionados à recepção de sinais GPS por aeronaves e que trabalha para determinar a causa do problema.
A Embraer também está acompanhando a investigação e fornecendo suporte técnico aos operadores.
Embora a indisponibilidade do GPS não signifique necessariamente que um avião perdeu todos os meios de navegação, ela pode impedir a utilização de determinados procedimentos que dependem do sistema e afetar as condições necessárias para realizar um voo conforme planejado.

A operação da Azul começou a ser retomada no fim da noite. O primeiro E195-E2 decolou pouco antes das 22h de Viracopos, em Campinas.
A aeronave era o PS-AEH, que realizava o voo AD4978 com destino a Brasília. Outros E2 começaram a retornar à operação posteriormente. A Azul tem 47 jatos E195-E2 em sua frota, mas dois deles estavam fora de serviço nesta terça-feira.
A Embraer ainda não informou a causa da instabilidade nem por que a operação da Azul foi afetada de maneira tão mais intensa que a de outros clientes do E2.



