A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) avalia a compra de novos caças F-16 pela primeira vez em mais de duas décadas, em meio a discurssões sobre o aumento de sua frota de jatos de combate.
Segundo reportagem da Air & Space Forces Magazine, que cita diversas fontes familiarizadas com o tema, a aeronave potencial, que pode receber a designação “F-16G”, seria mais avançada que o Block 70/72 atualmente produzido pela Lockheed Martin para clientes de exportação.
As discussões ocorrem enquanto a USAF inicia os trabalhos para o orçamento fiscal de 2028 e o correspondente Plano de Defesa de Cinco Anos (Future Years Defense Program). A Força Aérea ainda não confirmou planos para adquirir a aeronave.
Em nota à publicação, a Força Aérea afirmou que ainda está no início do processo de avaliação de opções para o próximo FYDP e não definiu requisitos específicos nem o leque de possíveis soluções.
Uma das possibilidades citadas na reportagem seria equipar a aeronave com o AN/ALQ-257 Integrated Viper Electronic Warfare Suite (IVEWS). O sistema já está sendo introduzido nos F-16 da USAF e oferece uma capacidade integrada de guerra eletrônica projetada para operar em conjunto com o radar do caça.

Assim, o conceito não significaria necessariamente a compra, pelos EUA, do atual Block 70/72 de exportação. Em vez disso, uma nova configuração poderia usar o F-16 mais recente como base, incorporando equipamentos escolhidos especificamente para a Força Aérea.
USAF recebeu seu último F-16 novo em 2005
Uma nova encomenda reverteria uma decisão de aquisição tomada há mais de duas décadas. A Força Aérea recebeu seu último F-16 novo em 18 de março de 2005, encerrando as entregas após a produção de 2.231 aeronaves para a força.
A produção, no entanto, continuou para clientes estrangeiros. A Lockheed Martin acabou transferindo a fabricação do F-16 de Fort Worth, Texas, para Greenville, Carolina do Sul, à medida que a antiga planta passou a se concentrar cada vez mais no programa F-35.
A linha de produção em Greenville foi inaugurada em 2019 e deu ao F-16 uma nova base industrial centrada no Block 70/72, a versão mais recente de um caça que voou pela primeira vez há mais de 50 anos.

O primeiro Block 70 produzido em Greenville realizou seu voo inaugural em janeiro de 2023. Diferentemente das fases anteriores, dominadas pelo mercado militar dos EUA, a linha atual é sustentada exclusivamente por clientes internacionais.
A demanda garantiu ao programa uma carteira de pedidos significativa. Em fevereiro de 2026, a Lockheed Martin informou que 37 aeronaves Block 70/72 haviam sido entregues e outras 111 permaneciam encomendadas por clientes internacionais.
A versão mais recente incorpora o radar AESA Northrop Grumman AN/APG-83, um computador de missão e cockpit aprimorados, além de vida útil estrutural de 12.000 horas de voo. O Block 70 utiliza o motor General Electric F110, enquanto o Block 72, de configuração semelhante, é equipado com o Pratt & Whitney F100.

Demanda externa manteve produção do F-16 ativa
A disponibilidade contínua de um F-16 moderno oferece à Força Aérea uma opção que não parecia provável quando sua própria aquisição foi encerrada em 2005. Em vez de reativar uma linha de produção parada, a força poderia se juntar a um programa de fabricação já existente, com carteira internacional consolidada.
A Lockheed Martin segue investindo em Greenville enquanto executa pedidos de países como Bahrein, Bulgária, Eslováquia, Taiwan e Jordânia. O Block 70/72 também disputa novos contratos em governos que buscam alternativas a aeronaves mais caras ou de disponibilidade limitada.
Uma eventual encomenda dos EUA ocorreria no momento em que a Força Aérea enfrenta o desafio simultâneo de aposentar caças antigos e incorporar F-35A e F-15EX. A força ainda opera centenas de F-16C/D mais antigos, muitos entregues nas décadas de 1980 e 1990.
