O Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro, tornou-se o primeiro da América Latina autorizado a receber regularmente o Boeing 777-9, maior integrante da nova geração do tradicional widebody norte-americano.

A autorização foi concedida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) por meio da Portaria nº 19.779/SIA, de 11 de agosto, publicada no Diário Oficial da União na última sexta-feira (14). O processo havia sido iniciado pela concessionária RIOgaleão em 2024.

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A mudança inclui o 777-9 entre as aeronaves cuja operação no Galeão é permitida mediante procedimentos especiais previstos no Manual de Operações do aeroporto e aprovados pela ANAC. O GIG já possuía autorização semelhante para receber o Airbus A380 e o Boeing 747-8.

Embora o 777-9 ainda esteja em processo de certificação, três de seus futuros operadores mantêm voos regulares para o Galeão: Emirates, Lufthansa e British Airways.

A Emirates é de longe a maior cliente do programa 777X. A companhia de Dubai ampliou sua encomenda em novembro de 2025 e atualmente possui pedidos para 270 aeronaves da família, incluindo o 777-9 e o menor 777-8. No Rio, a empresa opera a ligação entre o Galeão e Dubai com o Boeing 777, atualmente cinco vezes por semana.

Primeiro 777-9 da Lufthansa ainda sem pintura
Primeiro 777-9 da Lufthansa ainda sem pintura | Boeing

A Lufthansa também está entre as clientes de lançamento do 777-9 e já possui sua primeira aeronave produzida. O avião realizou o primeiro voo em maio deste ano e participa de testes de certificação equipado com a cabine que será utilizada pela companhia alemã. A Lufthansa liga o Galeão a Frankfurt atualmente com o Boeing 787-9.

Há ainda uma terceira possibilidade. A British Airways, que mantém voos diários entre o Rio de Janeiro e Londres-Heathrow com aeronaves Boeing 777, possui 24 exemplares do 777-9 encomendados. A companhia ampliou o pedido em 2025 ao converter seis opções em ordens firmes.

Isso não significa que alguma das três empresas já planeje utilizar o 777-9 no Rio. A autorização da ANAC apenas elimina uma limitação aeroportuária caso uma companhia decida futuramente escalar o modelo para o Galeão.

Pontas das asas dobráveis para ocupar menos espaço no solo (Michael Steffen)
Pontas das asas dobráveis para ocupar menos espaço no solo (Michael Steffen)

Asas dobráveis

Com 76,7 metros de comprimento, o 777-9 será o maior avião comercial bimotor em operação. Sua capacidade varia conforme a configuração escolhida pelas companhias, mas a Boeing indica entre 375 e 450 passageiros em uma cabine de duas classes.

Uma característica incomum do modelo é a asa de grande alongamento, cuja envergadura chega a 71,8 metros durante o voo. As pontas são dobradas após o pouso, reduzindo a largura para 64,8 metros no solo.

A Emirates é a maior cliente do 777X
A Emirates é a maior cliente do 777X

A solução permite que o 777-9 utilize posições de estacionamento e pistas de táxi compatíveis com aeronaves de código E, categoria na qual estão os atuais Boeing 777, apesar de sua envergadura em voo colocá-lo nas dimensões normalmente associadas ao código F.

Equipado com dois motores GE Aerospace GE9X, o 777-9 terá alcance de até 8.000 milhas náuticas (14.820 km).

O programa acumula sucessivos atrasos desde o primeiro voo, realizado em janeiro de 2020. A Boeing trabalha atualmente para concluir a certificação do 777-9 e prevê entregar o primeiro exemplar em 2027. A frota de testes já ultrapassou 4.800 horas de voo.