O governo federal autorizou estudos para antecipar a construção da segunda pista do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), em meio às negociações para renovar a concessão do terminal administrado pela Aeroportos Brasil Viracopos. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Atualmente, o aeroporto opera com cerca de 125 mil pousos e decolagens por ano. Pelo contrato original de concessão, a segunda pista só precisaria ser construída quando o movimento atingisse 178 mil operações anuais.

A nova pista seria paralela à atual, com cerca de 3.240 metros de extensão e distante o suficiente para permitir operações simultâneas de pousos e decolagens. Hoje, Viracopos opera com apenas uma pista ativa.

O tema voltou à discussão em um momento de pressão crescente sobre o sistema aéreo paulista, especialmente após episódios recentes de falhas operacionais que afetaram Congonhas, Guarulhos e o próprio Viracopos.

Apesar disso, a ideia de que Campinas possa absorver parte relevante da demanda dos aeroportos da capital enfrenta limitações logísticas. Viracopos está localizado a cerca de 100 quilômetros de São Paulo e ainda não possui uma ligação ferroviária rápida capaz de competir com o acesso mais direto a Congonhas e Guarulhos.

O governo do estado está viabilizando um trem regional entre São Paulo, Jundiaí e Campinas, porém, a estação ficará distante do aeroporto e a viagem até a capital levará mais de uma hora.

O “aeroporto cidade” imaginado pela concessionária: muito distante da realidade
O “aeroporto cidade” imaginado pela concessionária: muito distante da realidade

Por outro lado, o aeroporto possui capacidade ociosa relevante. O terminal movimentou cerca de 12,8 milhões de passageiros em 2025, mas sua infraestrutura atual permite atender aproximadamente 25 milhões de passageiros por ano, segundo dados do setor.

Viracopos também lidera a movimentação de cargas aéreas no Brasil, concentrando cerca de 40% do volume transportado no país.

A construção da segunda pista integra as negociações conduzidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para reequilibrar o contrato da concessionária, que entrou em recuperação judicial em 2018.

As conversas ocorrem sob sigilo no âmbito de uma Comissão de Autocomposição criada pela Anac em 2025.

Airrbus A330-900 decola de Viracopos (Azul)
Airrbus A330-900 decola de Viracopos (Azul)

Expansão fora da realidade

Leiloado em 2012, dentro do pacote inicial de concessões do governo federal, Viracopos foi arrematado pelo Consórcio Aeroportos Brasil, formado pela Triunfo Participações e Investimentos, pela UTC Participações e pela francesa Egis com lance de R$ 3,8 bilhões.

Começou então uma corrida para construir um novo terminal mais amplo, mas a concessionária atrasou as obras que foram parcialmente entregues para a Copa do Mundo de 2014.

O plano diretor original de Viracopos previa uma expansão muito mais ampla, incluindo até quatro pistas operacionais no longo prazo, cenário considerado excessivamente ambicioso por parte do setor diante da demanda atual e das limitações urbanas e logísticas da região.

A Azul responde pela maior parte da demanda de passageiros de  Viracopos, que funciona como principal hub da companhia no país.