O governo do estado do Rio de Janeiro suspendeu a compra de um helicóptero Sikorsky UH-60L Black Hawk destinado à Polícia Militar após identificar questionamentos relacionados ao processo de licitação e à aeronave oferecida, segundo reportagem publicada pelo G1.
O contrato previa investimento de US$ 12,6 milhões, cerca de R$ 70,3 milhões na cotação da época, para aquisição de um helicóptero blindado voltado a operações policiais em áreas urbanas.
A concorrência havia sido vencida pela empresa Blue Air Táxi Aéreo no fim de 2025.
Segundo a publicação, integrantes do governo interino passaram a questionar o valor apresentado pela empresa após comparações com aquisições recentes realizadas pela Força Aérea Brasileira.
A FAB adquiriu helicópteros Black Hawk por cerca de US$ 20,9 milhões por unidade em contrato assinado em 2025, valor significativamente superior ao apresentado na concorrência fluminense.
A diferença de preços levantou suspeitas sobre a possível utilização de componentes usados na aeronave oferecida ao estado.

O processo também passou a ser analisado após surgirem ligações entre empresas participantes da concorrência e o empresário Fernando Carlos da Silva Telles, conhecido no setor de táxi aéreo como “Tico-Tico”.
Documentos obtidos pelo G1 apontam relações entre a Flyone e a Blue Air, incluindo vínculos profissionais e familiares entre representantes das companhias.
O governo do estado informou que iniciou uma revisão ampla de contratos durante a gestão interina do desembargador Ricardo Couto e que o processo envolvendo o Black Hawk permanece suspenso enquanto passa por análise técnica e jurídica.
Nenhum pagamento pela aeronave havia sido realizado até o momento da suspensão.
Apesar disso, uma equipe da Polícia Militar chegou a viajar aos Estados Unidos para treinamento operacional relacionado ao modelo.
O Black Hawk era visto pela PM como uma alternativa mais resistente para operações em áreas conflagradas, substituindo parcialmente o atual “Caveirão do Ar”, baseado em helicópteros Huey II blindados.
Integrantes do governo também demonstraram preocupação sobre a adequação do Black Hawk ao ambiente urbano do Rio de Janeiro.
Com peso próximo de quatro toneladas, a aeronave exige áreas maiores para pouso e operação, além de produzir forte deslocamento de ar em voos a baixa altitude.



