O primeiro caça Saab Gripen F realizou seu voo inaugural nesta sexta-feira (28), na Suécia, com um piloto de testes da Força Aérea Brasileira (FAB) a bordo, dando início à campanha em voo da variante biposto desenvolvida com participação direta do Brasil.
O caça decolou do aeródromo da Saab em Linköping às 9h40 no horário local e permaneceu no ar durante 40 minutos.
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O voo foi realizado pelo piloto-chefe de testes da Saab, Jakob Högberg, e pelo tenente-coronel aviador Abdon de Rezende Vasconcelos, piloto de testes da FAB. Segundo a fabricante, foram verificadas as funções dos principais sistemas e o desempenho inicial da aeronave.
A presença brasileira no primeiro voo é consequência do papel do país no desenvolvimento do Gripen F. Ao contrário da Suécia, que adquiriu apenas a versão monoposto Gripen E, a FAB estabeleceu como requisito a existência de uma variante para dois tripulantes.
O contrato assinado em 2014 prevê 36 caças para o Brasil, sendo 28 Gripen E e oito Gripen F. A necessidade brasileira levou ao desenvolvimento da configuração biposto da nova geração do caça, tornando o país seu cliente lançador.
Mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros participaram de atividades relacionadas ao desenvolvimento, produção, ensaios em voo e manutenção dentro do programa de transferência de tecnologia.

Primeiro avião foi apresentado em junho
O voo ocorreu menos de três meses depois da apresentação do primeiro Gripen F, realizada pela Saab em Linköping em 2 de junho.
A fabricação da primeira aeronave havia começado em 2020. Embora compartilhe grande parte dos sistemas e componentes do Gripen E, a versão F exigiu o desenvolvimento de uma fuselagem dianteira mais longa para acomodar o segundo cockpit.
O Gripen F mede 15,9 metros de comprimento, ante 15,2 metros do Gripen E. As duas versões possuem peso máximo de decolagem de 16.500 kg e utilizam o motor General Electric F414G.
A configuração biposto mantém os dez pontos externos para armamentos e outros equipamentos, mas não possui o canhão interno Mauser BK27 de 27 mm instalado no Gripen E.
O segundo assento não transforma o Gripen F apenas em uma aeronave de treinamento. O caça mantém capacidade para missões operacionais, enquanto o cockpit traseiro pode ser utilizado de forma independente ou integrada ao dianteiro.
Essa configuração permite empregar a aeronave na conversão e treinamento de pilotos, além de possibilitar a divisão de tarefas entre dois tripulantes em missões de combate.

Campanha de ensaios começa na Suécia
Com o primeiro voo concluído, o avião passa inicialmente por voos de aceitação de produção. Depois terá início a expansão progressiva de seu envelope de voo.
A campanha avaliará parâmetros como velocidade, altitude, fator de carga e ângulo de ataque. Também serão testadas as capacidades táticas e, especialmente, as funções associadas ao cockpit traseiro.
Os ensaios serão realizados pelo Centro de Ensaios em Voo da Saab na Suécia. Somente após a conclusão das atividades previstas e dos procedimentos de aceitação o primeiro Gripen F será preparado para entrega à FAB.
Notícias recentes
Parte da produção do programa brasileiro ocorre no Brasil. A Embraer mantém em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, uma linha de montagem do Gripen, enquanto a fábrica da Saab em São Bernardo do Campo produz aeroestruturas para os Gripen E e F.
O primeiro Gripen E montado no país foi apresentado em Gavião Peixoto em março de 2026. Outros 14 caças do contrato brasileiro deverão passar pelo mesmo processo de produção no Brasil.

Brasil deixou de ser único cliente do Gripen F
Embora tenha sido desenvolvido inicialmente para atender à exigência brasileira, o Gripen F passou a integrar também os programas de aquisição de outros países.
A Colômbia incluiu dois Gripen F em sua encomenda, enquanto a Tailândia contratou um biposto junto com três Gripen E em seu primeiro lote.
A Suécia, país de origem do caça, não possui atualmente Gripen F encomendados. Sua aquisição inicial da nova geração compreende 60 unidades do Gripen E monoposto.



