A Boeing também é parceira da Zunum Aero, startup que está desenvolvendo o que pode ser o primeiro avião comercial elétrico (Divulgação)

A Zunum Aero quer lançar na próxima década a primeira família de aviões comerciais elétricos (Divulgação)

A eletrificação da aviação já está em andamento e a passos largos. Segundo a consultoria alemã Roland Berger, atualmente quase 170 programas de aeronaves movidas a energia elétrica estão em desenvolvimento no mundo todo e até o final deste ano esse número deve passar de 200.

Como aponta a consultoria, o seu banco de dados sobre programas de aeronaves elétricas cresceu quase 50% desde abril de 2018. O principal responsável por esse crescimento, respondendo por metade de todos os projetos registrados, é o novo nicho dos táxis aéreos urbanos, também chamados como eVTOL (sigla em inglês para aeronave elétrica de pouso e decolagem verticais).

A Europa é a região com a maior concentração de programas, com 72 projetos em andamento. O mais destacado é o CityAirbus, um táxi aéreo urbano para quatro passageiros, que fez seu primeiro voo no início de maio nas instalações da Airbus Helicopters em Donauworth, na Alemanha.

Os Estados Unidos são a segunda maior localidade com mais projetos de aeronaves elétricas em desenvolvimento, com 67 programas. Os principais grupos norte-americanos envolvidos em estudos dessa natureza são a Boeing e Bell Helicopter, que também estão projetando veículos eVTOL.

Além de fabricantes tradicionais da indústria aeronáutica e novos nomes no mercado, a Roland Berger também apontou que existem 100 projetos de aeronaves elétricas sendo desenvolvidas em todo mundo por iniciativas de cidades, universidades e potenciais operadores.

O veículo eVTOL da Boeing fez seu voo inaugural em janeiro deste ano (Boeing)

A consultoria ainda aponta que 70 projetos em andamento no mundo todo são de aviões elétricos para aplicações na aviação geral.

“Não é surpreendente que os táxis aéreos urbanos e projetos de aviação geral dominem os projetos com propulsão elétrica”, apontou a Roland Berger. “Não apenas os empreendimento menores são mais fáceis de financiar e testar, mas a tecnologia atual de sistemas elétricas ainda favorece os voos de menor potência e menor distância”, acrescenta.

Com essa limitação em vista, a consultoria alemã prevê que aeronaves regionais e comerciais elétricas vão competir com os sistemas de propulsão atuais somente após a década de 2030. “Os conceitos de aviões elétricos regionais e comerciais atuais tendem a empregar sistemas híbrido elétricos no momento”, afirma a Roland Berger.

De fato ainda são raros os projetos de aeronaves comerciais com motorização elétrica e todos caminham para a solução da propulsão híbrida. A Airbus é o principal nome que estuda essa tecnologia, com o programa E-Fan X e que deve ser testado a partir de 2020. No mais, apenas empresas startups, como a Zunum Aero e a Faradair, executam programas nesse sentido.

Brasil está no mapa dos aviões elétricos

A Uber pretende testar seu primeiro veículo aéreo até 2020 (Embraer X)

A Embraer pretende testar seu primeiro veículo aéreo até 2020 (Divulgação)

Dos quase 170 programas de aeronaves elétricas em desenvolvimento no mundo, três deles são executados no Brasil. O mais notável é o projeto da EmbraerX, que está projetando um táxi aéreo urbano em parceria com a Uber.

Os outros dois projetos brasileiros de aeronaves movidas a energia elétrica são de autoria da ACS Aviation, de São José dos Campos (SP). O primeiro deles é o Sora-e, que em 2015 se tornou o primeiro avião elétrico nacional a ganhar os céus. A empresa também toca o projeto Z-300, um veículo eVTOL semi-autônomo para dois passageiros e com autonomia de até 300 km.

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Primeiro avião elétrico brasileiro, o Sora-e fez seu voo inaugural em 25 de junho de 2015 (Divulgação)

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