Israel atacou a base aérea de Abu al-Duhur, no noroeste da Síria, poucos dias após dois caças-bombardeiros Sukhoi Su-22 restaurados serem filmados sobrevoando a região, em um dos sinais mais claros até agora de que o novo governo sírio tenta reconstruir sua capacidade de aviação militar.

Os ataques israelenses ocorreram em 18 de agosto na antiga instalação militar síria na província de Idlib. A Reuters noticiou oito ataques, citando uma fonte militar síria que afirmou que a pista e áreas de armazenamento foram atingidas. Não houve registro de vítimas.

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Israel reconheceu a operação posteriormente, embora tenha declarado que o motivo não foi a presença de aeronaves de combate sírias. Autoridades israelenses afirmaram que o ataque teve como objetivo impedir uma possível implantação militar turca em Abu al-Duhur, base que tem chamado atenção à medida que Ancara amplia sua cooperação de defesa com o governo sírio pós-Assad.

Relatos da mídia síria e regional, porém, afirmam que aeronaves pertencentes à nova Força Aérea Síria também estavam presentes na base. Entre elas estariam dois Su-22 restaurados, vários treinadores Aero L-39 e helicópteros antigos.

Até o momento, não há confirmação confiável de que alguma dessas aeronaves tenha sido destruída nos ataques israelenses.

Dois Su-22 voam sobre a Síria
Dois Su-22 voam sobre a Síria | Reprodução

Su-22 retornaram ao voo recentemente

O momento do ataque chama atenção. Imagens divulgadas no início deste mês mostraram dois Su-22 voando juntos sobre o norte da Síria, aparentemente após serem restaurados para condições de voo.

A aparição foi incomum porque grande parte da antiga Força Aérea Árabe Síria foi destruída ou ficou inutilizada durante e logo após a queda do governo de Bashar al-Assad em dezembro de 2024.

Naquele período, Israel realizou uma série de ataques contra instalações militares sírias, mirando bases aéreas, aeronaves, sistemas de defesa antiaérea, locais de mísseis e estoques de armas. O objetivo declarado era evitar que armamentos avançados herdados do governo Assad caíssem nas mãos das novas autoridades sírias ou de outros grupos armados.

Desde então, o tamanho do inventário remanescente de aeronaves de combate sírias permanece difícil de determinar. Muitas já estavam em más condições antes da queda de Assad, e imagens de satélite mostraram danos extensos em vários aeródromos militares.

Nesse contexto, a aparição de dois Su-22 operacionais foi significativa, apesar da idade e das limitações dessas aeronaves.

O Su-22 é a versão de exportação do caça-bombardeiro soviético Sukhoi Su-17, de asa de geometria variável. A Síria foi um dos principais operadores do modelo e utilizou diferentes variantes do Su-20 e Su-22 de forma intensiva, inclusive durante a guerra civil.

As aeronaves vistas recentemente parecem ser remanescentes dessa frota, e não caças recém-adquiridos. Não há indícios de que a Síria tenha recebido aeronaves de combate de reposição do exterior.

Um MiG-23 na base aérea de Abu al-Duhur em 2015
Um MiG-23 na base aérea de Abu al-Duhur em 2015 | Halab Today TV

Reconstrução da força aérea segue limitada

As novas autoridades sírias têm dado sinais de tentar restaurar ao menos parte da infraestrutura de aviação herdada do governo anterior. Helicópteros voltaram a operar, e a aparição dos Su-22 sugeriu que o trabalho se estendeu também a aeronaves de combate de asa fixa.

Abu al-Duhur pode ter papel importante nesse processo. A base, localizada a sudeste de Idlib, foi um importante aeródromo militar sírio antes de ser capturada por forças rebeldes durante a guerra civil e posteriormente retomada por tropas do governo.

Sua importância mudou novamente após a queda de Assad. Autoridades turcas teriam inspecionado instalações militares sírias enquanto Ancara e Damasco discutem cooperação em defesa, incluindo apoio à reconstrução das capacidades militares sírias.

Essa movimentação parece ter chamado a atenção de Israel. O país tem se posicionado repetidamente contra a instalação de sistemas militares turcos em determinadas bases sírias, especialmente equipamentos que possam restringir a liberdade de operação da Força Aérea Israelense sobre o território sírio.

Por ora, porém, o destino dos dois Su-22 recentemente fotografados permanece desconhecido. Relatos que apontam a presença de aeronaves sírias restauradas em Abu al-Duhur não foram confirmados de forma independente, e nem autoridades israelenses nem sírias identificaram aeronaves entre os equipamentos destruídos nos ataques de 18 de agosto.