Um júri em Seattle, nos EUA, absolveu a Boeing em ação movida pela companhia aérea polonesa LOT Polish Airlines por prejuízos relacionados à paralisação global do jato 737 MAX após dois acidentes fatais.
Segundo a Reuters, o veredito foi anunciado em 22 de maio no Tribunal Distrital dos EUA, após duas semanas de julgamento e cerca de três horas de deliberação do júri.
A LOT acusava a Boeing de fraude, alegando que a fabricante não revelou mudanças críticas feitas nos sistemas de controle de voo antes de a companhia adquirir as aeronaves na última década.
A companhia aérea pleiteava US$ 153 milhões em indenização por prejuízos decorrentes das interrupções causadas pela paralisação mundial da frota do 737 MAX entre 2019 e 2020.
O processo teve como foco o Maneuvering Characteristics Augmentation System (MCAS), função de controle de voo introduzida no 737 MAX para compensar características de manuseio associadas aos motores LEAP-1B, de maior porte.

O MCAS tornou-se alvo de investigações após os acidentes do voo 610 da Lion Air, na Indonésia, em outubro de 2018, e do voo 302 da Ethiopian Airlines, em março de 2019, que juntos resultaram em 346 mortes.
Investigações concluíram que dados incorretos de sensores ativaram repetidamente o sistema, levando o nariz da aeronave para baixo enquanto os pilotos tentavam retomar o controle.
Os acidentes provocaram a mais longa paralisação de um grande programa de aviação comercial na história recente. Autoridades de aviação em todo o mundo suspenderam as operações do 737 MAX por cerca de 20 meses, período em que a Boeing redesenhou o software do MCAS e implementou novos requisitos de treinamento para pilotos.
A LOT argumentou que a Boeing omitiu informações sobre alterações no sistema e nas características de voo da aeronave, expondo operadores a prejuízos financeiros e operacionais após a paralisação da frota.
A Boeing negou as acusações durante todo o processo e comemorou a decisão do júri após o veredito.

A ação foi uma das várias consequências legais e financeiras decorrentes da crise do MAX, que já custou à Boeing dezenas de bilhões de dólares em compensações, interrupções na produção, multas regulatórias e acordos desde 2019.
Apesar do retorno do 737 MAX ao serviço global a partir do fim de 2020, a Boeing seguiu sob escrutínio quanto à qualidade de fabricação, supervisão de certificação e cultura de segurança em diversos programas.
A LOT reconheceu o veredito em comunicado, mas indicou que o processo judicial pode continuar, deixando aberta a possibilidade de recurso.



