Ainda nem chegou ao mercado e já mudou de nome: o MRJ agora é SpaceJet (Divulgação)

A Mitsubishi decidiu realizar uma grande reformulação em problemático programa de jatos regionais. A fabricante japonesa anunciou nesta quinta-feira (13) o lançamento da família SpaceJet, que entra no lugar do MRJ com os modelos MRJ90 renomeado como M90 e o M100, um novo produto reformulado a partir do projeto MRJ70.

“A família Mitsubishi SpaceJet representa nosso plano para redefinir os negócios de viagens aéreas regionais”, disse Hisakazu Mizutani, presidente da Mitsubishi Aircraft Corporation. “Ao nos prepararmos para a entrada em serviço do SpaceJet M90, também estamos anunciando o SpaceJet M100, resultado de nossa pesquisa e desenvolvimento durante os últimos anos e a resposta às necessidades atuais e futuras do mercado regional.”

Em comparação com o MRJ70 de 33,4 metros de comprimento na versão original, a fuselagem do M100 foi estendida até 34,5 metros para acomodar 76 passageiros em um layout de três classes. Apesar de maior, apenas 1,2 metro mais curto que o M90, a Mitsubishi afirma que conseguiu restringir o peso máximo de decolagem para 86.000 libras (39.000 kg), melhorando a eficiência estrutural e reduzindo a envergadura das asas em pouco mais de um metro.

A mudança é projetada para tornar a M100 adequado a cláusula de escopo dos sindicatos de pilotos dos Estados Unidos, que limita o peso máximo e capacidade de passageiros das aeronaves na aviação regional. A Mitsubishi esperava que as regras do mercado nos EUA pudessem mudar para aceitar novos produtos, mas essa possibilidade é considerada cada vez mais improvável. A Embraer também pode enfrentar esse dilema com o novo E175-E2, que supera os limites do acordo atual.

O M100 revisado sofre uma redução de autonomia, com alcance máximo de 3.611 km, comparado aos poucos mais de 3.700 km do MRJ70. Em sua defesa, a fabricante diz que essa marca, embora menor, permite a aeronave voar com carga útil completa configurado em classe única em trechos como Paris e Moscou, Singapura e Taiwan ou Denver e Miami.

Na próxima semana, a Mitsubishi vai apresentar um mocape da cabine do SpaceJet M100 no Paris Air Show. A empresa ainda informou que o lançamento formal do programa de desenvolvimento do M100 está previsto para o final deste ano.

Motores de última geração e  fly-by-wire: o SpaceJet concorre com a série E2 da Embraer (Mitsubishi)

O plano de reformulação do MRJ ocorre ao mesmo tempo em que a fabricante japonesa continua as negociações com a Bombardier sobre a aquisição do programa de jatos regionais CRJ. O anúncio da compra também ser anunciado nos próximos dias, no Paris Air Show.

Nova chance para a Mitsubishi

A reformulação do programa MRJ pode ser a grande chance para Mitsubishi enfim lançar o primeiro jato comercial do Japão. Os estudos e negociações sobre a série de aeronaves começaram em 2003 e o projeto foi anunciado no Paris Air Show de 2007.

Quando lançou o programa MRJ, a fabricante previa entregar os primeiros jatos MRJ90 no final de 2013, mas mudanças no projeto e atrasos no processo de certificação resultaram em cinco adiamentos. A estreia da aeronave agora é prevista para 2020, com a companhia japonesa ANA.

O último avião comercial desenvolvido no Japão foi o turbo-hélice YS-11, fabricado entre 1962 e 1974 pelo consórcio NAMC. O grupo reunia importantes empresas do país, entre elas a Mitsubishi. No Brasil, o avião japonês voou com a VASP e ficou conhecido como “Samurai”.

O NAMC YS-11 ficou conhecido no Brasil como "Samurai"

O NAMC YS-11 foi o último avião comercial fabricado do Japão 

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