A NASA apresentou o novo esquema de pintura de um Boeing 737-700 que está sendo convertido em aeronave de pesquisa de gravidade reduzida, uma nova missão para um jato que serviu a Força Aérea dos EUA (USAF) por vários anos sem que se saiba qual foi sua tarefa.
A aeronave, agora registrada como N837NA, teve a pintura concluída em Oklahoma em 13 de agosto. Ela será utilizada para voos parabólicos que simulam a gravidade lunar, principalmente para apoiar testes de trajes espaciais e outros equipamentos do programa Artemis.
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Por trás do 737 de aparência relativamente convencional, porém, há uma história incomum. A aeronave serviu anteriormente como plataforma de testes voadora da USAF sob o registro N712JM e esteve associada a modificações classificadas cujo propósito exato nunca foi divulgado publicamente.
Fabricado em 2013, o Boeing 737-73W tem número de série 40116. Diferentemente da maioria das aeronaves de sua idade, nunca teve uma carreira convencional transportando passageiros de linha aérea.

Sua trajetória ficou especialmente interessante por volta de 2020, quando foi fotografada na Califórnia ainda com o revestimento protetor verde normalmente visto em fuselagens não finalizadas da Boeing. Instrumentação externa, sensores e fiação passando pelas janelas da cabine indicavam que estava sendo usada para testes em voo.
A aeronave operou posteriormente a partir de Santa Maria, Califórnia, utilizando o indicativo STING 38 e realizou missões associadas a áreas de testes militares na costa da Califórnia. A Força Aérea nunca identificou publicamente o programa nem explicou quais equipamentos estavam sendo avaliados a bordo do 737, que não exibia matrícula.
Modificações secretas
Alguns indícios da sensibilidade do trabalho anterior da aeronave só surgiram quando a NASA se preparava para adquiri-la.
Documentos de aquisição que embasaram a decisão da NASA de utilizar a Denmar Technical Services para a conversão destacaram que a empresa já havia trabalhado no 737 para a Força Aérea e detinha conhecimento sobre suas modificações misteriosas.
Os documentos chegaram a explicar que o pessoal da NASA não tinha "necessidade de saber" os detalhes dessas modificações, tornando a continuidade com o contratante familiarizado com a aeronave especialmente importante.

A USAF posteriormente confirmou que o 737 havia sido adquirido como plataforma de testes voadora e que seu programa havia sido encerrado, liberando a transferência da aeronave para a NASA. O que de fato foi testado a bordo do STING 38 permanece não revelado.
A aeronave ocasionalmente foi associada a outro 737 militar norte-americano altamente incomum, o NT-43A conhecido pelo indicativo RAT55, embora não devam ser confundidos.
O RAT55 é um 737-200 muito modificado, reconhecível pelas enormes estruturas instaladas no nariz e na cauda, e tem sido usado para avaliar assinaturas de radar de aeronaves furtivas. A Denmar também esteve associada a essa aeronave, alimentando especulações sobre o propósito do mais novo 737-700. Não há confirmação de que o N712JM tenha desempenhado a mesma missão.
De plataforma secreta ao 'Vomit Comet'
O Armstrong Flight Research Center da NASA assumiu formalmente a posse da aeronave da Força Aérea em junho. A NASA concedeu à Denmar um contrato de até US$ 8,4 milhões para restaurar e modificar o 737 para sua nova missão de pesquisa.
Parte desse trabalho envolve a preparação da cabine para voos parabólicos. Nessas manobras, a aeronave sobe repetidamente em forte inclinação antes de seguir uma trajetória balística cuidadosamente controlada, produzindo temporariamente condições de gravidade reduzida no interior da cabine — experiência que pode causar enjoos e rendeu a esses aviões o apelido de “Vomit Comet” (“Cometa do Vômito”).
A NASA pretende usar o N837NA especificamente para reproduzir a gravidade lunar, permitindo que astronautas e engenheiros avaliem trajes espaciais e sistemas de tripulação em desenvolvimento para as missões Artemis antes de serem utilizados na Lua.

O 737 será operado a partir do Johnson Space Center da NASA, em Houston, para missões de gravidade reduzida, com o Armstrong, em Edwards Air Force Base, supervisionando a aeronave.
As funções não se limitarão aos voos parabólicos. A NASA também pretende usar a aeronave como plataforma de pesquisa para integração de sistemas, testando tecnologias de autonomia, sensores e outros sistemas digitais.
O 737, portanto, permanece como laboratório voador, mesmo que agora sua atuação seja consideravelmente menos secreta. Seus primeiros voos de pesquisa para a NASA também darão à relativamente jovem aeronave um papel ativo após 13 anos iniciais altamente incomuns, nos quais grande parte do que realizou segue em sigilo.
