O Grupo Adani, parceiro da Embraer em um projeto de linha de montagem do E175 na Índia, teria planos de lançar sua própria companhia aérea em uma iniciativa que poderia apoiar a produção local do jato regional brasileiro, segundo o The Economic Times.
O jornal informou que a Adani Airport Holdings enviou carta à Airports Authority of India (AAI) solicitando a remoção de uma regra de concessão que impede o operador do Aeroporto Internacional de Mumbai de deter mais de 10% de participação em uma companhia aérea regular. A empresa também pediu que restrições semelhantes não sejam incluídas em futuras concessões aeroportuárias.
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Ainda de acordo com o The Economic Times, a carta afirma que a Adani está "em posição única para apoiar o desenvolvimento de uma companhia aérea de nova geração" e adotaria medidas de governança para garantir tratamento justo às concorrentes.
A reportagem surgiu um dia após a Reuters divulgar que o conglomerado havia procurado o governo indiano para pedir mudanças nas regras de propriedade. Nesta sexta-feira, porém, a Adani Enterprises negou avaliar o lançamento de uma companhia aérea, classificando tais informações como "totalmente infundadas e factualmente incorretas" em comunicado à bolsa de valores.

O tema ganhou destaque porque a Adani tem expandido rapidamente sua atuação no setor de aviação da Índia. O grupo opera oito aeroportos, incluindo Mumbai, está construindo o novo Aeroporto Internacional de Navi Mumbai, possui negócios de serviços em solo e manutenção, atua em treinamento de pilotos e, no início deste ano, assinou acordo com a Embraer para estudar a produção local do jato regional E175.
Solução para o maior desafio da Embraer na Índia
O The Economic Times também relacionou o suposto projeto de companhia aérea à parceria com a Embraer.
Segundo o veículo, as companhias aéreas indianas existentes demonstraram pouco interesse em adquirir o E175, levando a Adani a considerar criar sua própria empresa como forma de tornar o projeto de fabricação comercialmente viável.
O cenário aborda um desafio que a Embraer já reconheceu publicamente. O CEO Francisco Gomes Neto afirmou que a empresa precisaria de pedidos para cerca de 200 aeronaves antes de investir em uma linha de montagem final do E175 na Índia.

Uma companhia aérea controlada pela Adani não geraria esse volume sozinha, mas poderia se tornar cliente lançador das aeronaves montadas localmente e introduzir o modelo no mercado indiano em escala muito maior do que atualmente.
Atualmente, a Star Air é a única companhia indiana que opera jatos E-Jet da Embraer. Sua frota inclui oito E175 de segunda mão, e a empresa também planeja incorporar dois E190 usados.
Nem Adani nem Embraer sugeriram que a criação de uma companhia aérea faça parte da parceria industrial.



