Parlamentares dos Estados Unidos propõem nova autorização para aquisição plurianual dos caças Lockheed Martin F-35 e Boeing F-15EX no projeto da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) para o ano fiscal de 2027, segundo reportagem da Air & Space Forces Magazine.

A proposta permite ao Pentágono firmar contratos de até cinco anos para ambos os modelos, em vez de manter compras anuais. Defensores da medida afirmam que a mudança pode reduzir custos e dar mais previsibilidade ao planejamento da produção.

A medida integra o primeiro rascunho do projeto de lei de defesa divulgado pelo Comitê de Serviços Armados da Câmara em 26 de maio e incorpora dispositivos já apresentados no Senado pelo Airpower Acceleration Act.

O F-35 é o principal programa de caça de quinta geração dos Estados Unidos e também está em operação ou foi encomendado por diversos países aliados na Europa, Ásia e Oriente Médio. O avião foi projetado para missões furtivas, fusão de sensores e guerra centrada em redes.

Dois F-35A Lightning IIs da Força Aérea dos EUA chegando na Base Aérea de Misawa, Japão
Dois F-35A Lightning IIs da Força Aérea dos EUA chegando na Base Aérea de Misawa, Japão

O F-15EX Eagle II, por sua vez, é uma versão atualizada da consagrada família F-15, destinada a substituir os antigos F-15C/D na Força Aérea dos EUA. Diferentemente do F-35, voltado para furtividade, o F-15EX prioriza capacidade de carga, alcance e integração com a infraestrutura já existente.

Segundo o Congressional Research Service, contratos de aquisição plurianual podem reduzir os custos militares entre 5% e 15%, ao permitir que fabricantes planejem melhor investimentos, cadeias de suprimentos e ritmo de produção.

O secretário da Força Aérea, Troy Meink, manifestou apoio à proposta durante audiência no Senado em 21 de maio, especialmente em relação ao programa F-15EX.

Meink afirmou que a incerteza das compras anuais limitou a capacidade da Boeing de investir em melhorias de produção e eficiência fabril do avião. O projeto de lei também autoriza o Pentágono a adquirir antecipadamente maiores quantidades de materiais e componentes do F-35, caso isso permita reduzir custos.

Caça F-47 será de padrão “Stealth++” (USAF)
Caça F-47 será de padrão “Stealth++” (USAF)

Além disso, parlamentares sugeriram acréscimo de US$300 milhões para peças de reposição do F-35A, mais que dobrando o pedido original da Força Aérea, de US$269 milhões.

A legislação também reforça a fiscalização do programa F-35 com novas exigências de relatórios sobre custos de sustentação, modernização de software e direitos sobre dados técnicos.

Um dos dispositivos obriga o Pentágono a responder recomendações do Government Accountability Office desde 2014, incluindo revisões de estimativas de custos para a modernização Block 4 e atualização das estratégias de sustentação.

Parlamentares também solicitam relatório sobre a futura atualização do Sistema de Gerenciamento Térmico e de Energia do F-35, considerada essencial para atender à crescente demanda de refrigeração e energia elétrica associada às capacidades do Block 4.

O avanço nas aquisições ocorre enquanto a Força Aérea dos EUA desenvolve o Boeing F-47, futuro caça de sexta geração selecionado pelo programa Next Generation Air Dominance (NGAD). No entanto, a expectativa é que o novo avião só entre em serviço operacional na próxima década, mantendo o F-35 e o F-15EX como pilares do poder aéreo tático dos EUA nos próximos anos.