Um plano de voo associado a uma aeronave militar britânica teria provocado a pane no sistema de controle de tráfego aéreo que causou ampla interrupção no Reino Unido nesta semana, segundo o Financial Times.
O jornal informou nesta sexta-feira que dados anômalos ligados ao plano de voo da aeronave foram inseridos no Flight Processing System (FPS) operado pela NATS, empresa responsável pela maior parte dos serviços de controle de tráfego aéreo no Reino Unido.
O Financial Times citou quatro pessoas informadas sobre o incidente. A identidade e o tipo da aeronave militar envolvida não foram divulgados, e o Ministério da Defesa do Reino Unido não quis comentar ao jornal.
Segundo duas fontes ouvidas pelo FT, no entanto, o caráter militar do voo não foi o responsável direto pela falha. O problema estava relacionado aos dados contidos no plano de voo e à forma como o sistema da NATS os processou.
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A falha técnica começou por volta das 13h da terça-feira, 8 de setembro, e afetou o processamento de informações de voo em todo o espaço aéreo britânico. A NATS restabeleceu o sistema quase quatro horas depois, mas a interrupção provocou atrasos e cancelamentos em aeroportos como Heathrow, Gatwick e Manchester.

Cerca de 1.300 voos foram cancelados somente na terça-feira, e a interrupção continuou na quarta-feira, enquanto as companhias aéreas trabalhavam para reposicionar aeronaves e tripulações.
As circunstâncias levaram a comparações com outra grande falha da NATS em agosto de 2023. Naquele episódio, a origem foi atribuída a informações incomuns em um plano de voo que o sistema não conseguiu processar corretamente, o que levou a restrições no espaço aéreo do Reino Unido e milhares de cancelamentos de voos.
O CEO da Ryanair, Michael O’Leary, afirmou que a NATS informou à companhia aérea que a falha desta semana também foi causada por um “plano de voo fora do padrão”. Ele posteriormente acusou o CEO da NATS, Martin Rolfe, de enganar o público após Rolfe inicialmente afirmar que o incidente mais recente não era uma repetição da falha de 2023.
O governo britânico determinou uma investigação independente sobre a pane. A secretária de Transportes, Heidi Alexander, disse ao Parlamento que não considera inevitável esse tipo de interrupção e pediu à Autoridade de Aviação Civil que examine tanto as causas da falha quanto a resiliência dos sistemas da NATS.
O Financial Times também informou que o Flight Processing System afetado pelo incidente não possui um sistema de backup dedicado. A NATS atualmente realiza uma modernização mais ampla de sua infraestrutura de gerenciamento de tráfego aéreo.
