Um dos aviões comerciais mais aguardados, o jato chinês C919 da fabricante estatal chinesa COMAC deve receber a certificação operacional em seu país de origem até o final deste ano e finalmente ter a chance de estrear no mercado.
A aeronave está na fase final de testes e atualmente tem pedidos relevantes apenas de empresas aéreas da China. Apesar disso, o CEO da Airbus, Guillaume Faury, não descarta o jato chinês na competição dos jatos de corpo estreito, onde reina a dupla Airbus A320 e Boeing 737.
Em teleconferência sobre os resultados financeiros da Airbus na quinta-feira (18), Faury mencionou que o C919 é um produto que deve ser levado a sério.
“Existem muitos desafios e acho que é muito cedo para dizer até que ponto (a COMAC) será capaz de competir com a Boeing e a Airbus. Mas os estamos levando a sério e observando cuidadosamente o que está acontecendo lá”, disse o CEO da Airbus.
Apesar disso, Faury não espera uma competição iminente com o novo jato chinês, destacando que “vai demorar para o C919 encontrar o seu lugar”. O executivo ainda acrescentou: “Vimos outros participantes em outras regiões importantes do mundo tentando entrar no mercado regional, ou mesmo na aviação comercial, sem sucesso.”
Avião chinês para o mercado chinês, ao menos por enquanto
A princípio, é improvável que o C919 represente uma ameaça séria e imediata às vendas do Airbus A320 e do Boeing 737. As duas fabricantes ocidentais estão bem estebelecidas no mercado e cultuvam bons relacionamentos com seus clientes. Em contrapartida, a COMAC ainda não conseguiu atrair compradores de fora da China para seu novo produto.
O C919, porém, deve ter uma rápida adesão na China, o que por si só já um avanço importante. O mercado chinês de aviação comercial deve se tornar o maior do mundo até o final desta década, superando os EUA.
A COMAC diz ter mais de 800 pedidos pelo C919 e tem como meta entregar 2.000 aeronaves do tipo nos próximos 20 anos. Até o momento, a única empresa do Ocidente que demonstrou interesse no jato chinês foi a Ryanair, a maior companhia aérea da Europa, embora nenhum acordo tenha sido oficializado.
Veja mais: Companhias aéreas e incomuns que realmente existiram