O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e a empresa brasileira IACIT assinaram um protocolo de intenções para desenvolver uma prova de conceito do projeto MUST (Multi-Sensor Urban Surveillance and Tracking), sistema criado para monitorar drones, aeronaves autônomas e futuros veículos de mobilidade aérea urbana, conhecidos popularmente como “carros voadores”.

O acordo foi formalizado durante a SpaceBR Show/DroneShow Robotics e inicia uma nova etapa do projeto, financiado pela Finep e desenvolvido desde 2025. O objetivo é testar a tecnologia em um ambiente operacional próximo das condições reais para verificar sua capacidade de rastreamento, integração de dados e apoio à gestão do tráfego aéreo.

Embora o uso de drones tenha crescido rapidamente nos últimos anos, a expectativa do setor é que o espaço aéreo de baixa altitude se torne ainda mais complexo na próxima década. Empresas de diversos países trabalham em aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical (eVTOLs), projetadas para realizar deslocamentos urbanos e regionais de curta distância.

O desafio é que essas aeronaves deverão compartilhar áreas urbanas densamente povoadas com drones de entrega, aeronaves de segurança pública e outros veículos não tripulados. Isso exigirá sistemas capazes de identificar, rastrear e coordenar milhares de voos simultaneamente de forma segura.

Luiz Teixeira, CEO da IACIT, Tenente-Brigadeiro do Ar, Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Júnior, Diretor-Geral do DECEA e Luiz Henrique Tanaka, diretor de Marketing da Saipher
Luiz Teixeira, CEO da IACIT, Tenente-Brigadeiro do Ar, Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Júnior, Diretor-Geral do DECEA e Luiz Henrique Tanaka, diretor de Marketing da Saipher | IACT

É justamente nesse cenário que o projeto MUST pretende atuar. Segundo a IACIT, o sistema está sendo desenvolvido para combinar informações provenientes de múltiplos sensores com recursos de inteligência artificial, permitindo acompanhar em tempo real aeronaves operando em áreas urbanas.

A proposta está ligada a dois conceitos que vêm ganhando importância na aviação. O primeiro é o UTM (Unmanned Aircraft System Traffic Management), voltado ao gerenciamento do tráfego de drones. O segundo é o UAM (Urban Air Mobility), que trata da futura mobilidade aérea urbana baseada em eVTOLs e aeronaves autônomas.

Além de apoiar o controle do tráfego aéreo não tripulado, a tecnologia poderá ter aplicações em segurança pública, proteção de instalações críticas e defesa, áreas nas quais a identificação rápida de drones tem se tornado uma preocupação crescente.

O carro voador britânico (Vertical Aerospace)
O carro voador britânico (Vertical Aerospace)

O investimento total no projeto soma R$ 40 milhões, sendo R$ 28 milhões financiados pela Finep e outros R$ 12 milhões aportados pela IACIT e pelas empresas parceiras Ocellott, Saipher ATC e Senai Cimatec.

O desenvolvimento de sistemas desse tipo ocorre paralelamente aos avanços da chamada mobilidade aérea avançada. Fabricantes como Embraer, Joby Aviation, Archer Aviation e Vertical Aerospace trabalham em aeronaves elétricas capazes de transportar passageiros sobre centros urbanos, mas a operação em larga escala dependerá não apenas das aeronaves, mas também de uma infraestrutura digital capaz de monitorar e organizar o tráfego em tempo real.