A Qantas recebeu o primeiro Embraer E190 de uma frota própria que substituirá os antigos Fokker 100 na Austrália Ocidental, embora o jato fabricado no Brasil já seja presença constante nas cores da QantasLink há mais de cinco anos.

A diferença está na operação. Os E190 atualmente em serviço para a QantasLink são fornecidos e operados pela Alliance Airlines sob contrato de wet-lease. Os novos aviões serão operados pela Network Aviation, subsidiária integral da Qantas com sede em Perth.

A primeira aeronave, VH-E9A, chegou a Perth após voo de traslado vindo de Norwich, no Reino Unido, com escalas na Bulgária, Tadjiquistão, Índia, Malásia e Broome. A expectativa é que entre em operação comercial em janeiro de 2027, sujeita à aprovação regulatória.

A Qantas planeja introduzir até 14 E190 de meia-vida para substituir progressivamente a frota de Fokker 100 da Network Aviation. Os aviões atenderão principalmente operações de fretamento para o setor de mineração na Austrália Ocidental, transportando trabalhadores entre Perth e comunidades e locais de mineração remotos.

As novas aeronaves terão 100 assentos e vão trazer Wi-Fi, carregamento USB e Qantas Economy Plus para essas operações. A Qantas também espera que o maior alcance do E190 em relação ao Fokker 100 ofereça novas oportunidades para a malha de fretamento.

The first QantasLink-owned E190 and, in the background, a Fokker 100
The first QantasLink-owned E190 and, in the background, a Fokker 100 | Qantas

Fim de uma era para o Fokker 100

O programa marca mais uma etapa no desaparecimento gradual do Fokker 100 dos céus australianos. O modelo permaneceu especialmente presente na Austrália Ocidental, onde sua capacidade e desempenho o tornaram escolha frequente para voos do setor de mineração e recursos.

A Network Aviation foi um dos principais operadores do modelo. A Qantas adquiriu a empresa baseada em Perth em 2011 e, desde então, ampliou sua atuação em voos fretados e regulares na Austrália Ocidental.

A introdução do E190 vai retirar progressivamente os Fokker mais antigos, em vez de ampliar a frota em 14 aeronaves. A Network Aviation também opera Airbus A319 e A320.

Fokker 100 da QantasLink operado pela Network Aviation (Bahnfrend)
Fokker 100 da QantasLink operado pela Network Aviation (Bahnfrend)

A Qantas já conhece bem o jato Embraer. A Alliance começou a operar E190 para o grupo em 2021, e o acordo foi ampliado para 30 aeronaves. Esses jatos realizam voos QantasLink, mas permanecem como aviões da Alliance, operados por tripulações da própria Alliance.

A distinção ganhou mais relevância após a tentativa frustrada da Qantas de adquirir a Alliance. A Comissão Australiana de Concorrência e Consumidores vetou a proposta de aquisição em 2023, alegando que a operação reduziria substancialmente a concorrência no transporte aéreo para empresas do setor de recursos.

Com isso, a Qantas manteve a dependência da Alliance por meio do contrato de wet-lease, ao mesmo tempo em que desenvolve uma frota própria de E190 na Network Aviation.

Menos E190 da Alliance

A chegada dos E190 próprios da Qantas ocorre pouco depois de uma mudança no acordo com a Alliance. Como noticiou o Air Data News em agosto, Alliance e Qantas renegociaram o contrato de wet-lease, que vai reduzir progressivamente o número de E190 alocados à Qantas de 30 para 23 durante o ano fiscal de 2027.

QantasLink E190 (
Sportz Fotos Your Sport Your Photos)
QantasLink E190 ( Sportz Fotos Your Sport Your Photos)

O compromisso menor não significa que a Qantas pagará menos pelo serviço. A Alliance garantiu preços mais altos a partir de 1º de julho e um novo mecanismo anual de reajuste, após o aumento dos custos de mão de obra, manutenção, logística e conformidade ter reduzido a rentabilidade do acordo anterior.

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A Alliance afirmou que os novos termos devem melhorar as margens e a geração de caixa, apesar da redução no número de aeronaves e horas voadas. Os sete E190 liberados do compromisso com a Qantas ficarão disponíveis para outros fretamentos, ACMI ou oportunidades de frota.

As mudanças significam que a Qantas vai, ao mesmo tempo, reduzir o número de E190 recebidos de um operador externo e introduzir até 14 exemplares do mesmo modelo em sua própria frota na Austrália Ocidental.