A estatal russa Rostec informou que o novo motor PD-8 concluiu a campanha de testes de certificação, aproximando o jato regional SJ-100 da aprovação para operação comercial ainda em 2024.
Segundo a Rostec e a United Engine Corporation (UEC), o PD-8 acumulou mais de 6.500 horas de operação durante o desenvolvimento e os ensaios de certificação, incluindo cerca de 1.450 horas de voo em aeronaves Superjet e em um laboratório voador.
O motor passou por uma ampla variedade de testes, incluindo condições de gelo, simulação de operação prolongada, impacto de aves, ingestão de água, exposição a granizo e cenários de falha de pá do fan.
A Rostec afirmou que o PD-8 demonstrou “alta confiabilidade e segurança” durante toda a campanha e que a documentação necessária para a certificação será agora encaminhada à Agência Federal de Transporte Aéreo da Rússia.

O teste final de certificação ocorreu em abril, na instalação de testes ao ar livre da UEC-Saturn em Rybinsk, onde engenheiros simularam o voo da aeronave através de uma nuvem de granizo. Segundo o fabricante, o motor continuou operando normalmente durante o ensaio.
O PD-8 foi projetado para equipar o jato regional SJ-100 e a aeronave anfíbia Beriev Be-200. O desenvolvimento do motor faz parte do esforço russo para substituir sistemas e componentes de origem ocidental após as sanções impostas em decorrência da invasão da Ucrânia.
Produção em série prevista para 2027
O SJ-100 é uma versão amplamente modificada do Sukhoi Superjet 100, redesenhada para substituir fornecedores estrangeiros por sistemas, aviônicos e motores de fabricação russa. As primeiras aeronaves Superjet utilizavam o motor franco-russo PowerJet SaM146 e diversos componentes importados.
As autoridades russas esperam que o SJ-100 obtenha certificação ainda este ano, embora reportagens da mídia local indiquem que a produção em série deve começar apenas em 2027.

O programa PD-8 também incorpora tecnologias derivadas do motor maior PD-14, desenvolvido para o jato de corredor único Irkut MC-21. Segundo a UEC, engenheiros introduziram diversas soluções inéditas durante o desenvolvimento, incluindo materiais avançados para turbinas e um estágio de turbina de alta pressão supersônica, visando maior eficiência e menor consumo de combustível.
Os programas SJ-100 e MC-21 tornaram-se prioridades para Moscou após as sanções ocidentais impostas em decorrência da invasão da Ucrânia, que impactaram fortemente o setor de aviação civil russo.
Boeing e Airbus suspenderam serviços de suporte, fornecimento de peças de reposição e entregas de aeronaves para companhias aéreas russas, enquanto fornecedores estrangeiros envolvidos nos projetos Superjet e MC-21 também se retiraram.



