Um acordo impensável anos atras foi anunciado nesta segunda-feira, 10, e que pode ter reflexos na Eve Air Mobility, da Embraer. Sua rival, a Archer Aviation, fechou a aquisição das subsidiárias Wisk Aero, Insitu e SkyGrid da Boeing.

A negociação é mais um capítulo numa relação conturbada entre essas empresas e que irá ampliar a atuação da Archer além do mercado de mobilidade aérea urbana. A Boeing também passará a ser uma das maiores acionistas da Archer e irá colaborar com a empresa no desenvolvimento de futuras tecnologias de aviação autônoma.

A transação reúne negócios que atuam em diferentes segmentos da aviação avançada. A Archer desenvolve o táxi aéreo elétrico Midnight para transporte comercial de passageiros, enquanto a Wisk acumula mais de uma década projetando aeronaves eVTOL totalmente autônomas.

A Insitu é uma fabricante consolidada de aeronaves não tripuladas para uso militar, incluindo a família ScanEagle, empregada em missões de inteligência, vigilância e reconhecimento. Já a SkyGrid desenvolve softwares de gestão digital do espaço aéreo, voltados para o suporte ao uso crescente de aeronaves autônomas.

Generation 6 UAV (Wisky Aero)
Generation 6 UAV (Wisky Aero)

Segundo a Boeing, a parceria permitirá que a empresa continue acessando tecnologias desenvolvidas pelas três subsidiárias, enquanto a Archer ganha capacidade de engenharia e produtos que vão muito além do mercado de táxis aéreos elétricos. Fortalecida, a empresa deve ser um páreo duro para a Eve, da Embraer.

O anúncio também representa uma reviravolta notável no relacionamento entre Archer e Wisk.

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Em 2021, a Wisk entrou com uma ação judicial acusando a Archer de apropriação indevida de segredos comerciais após a contratação de ex-engenheiros da Wisk. A empresa alegou que informações confidenciais teriam sido usadas no desenvolvimento da aeronave da Archer, enquanto a Archer negou as acusações e defendeu que desenvolveu sua tecnologia de forma independente.

A disputa judicial se tornou um dos casos de maior destaque no setor emergente de mobilidade aérea urbana, que na época atraía bilhões de dólares em investimentos, com dezenas de startups competindo para certificar aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical.

O conflito terminou em 2023, quando Boeing, Wisk e Archer chegaram a um acordo. A Boeing investiu na Archer, todos os processos foram encerrados e a Wisk concordou em ser fornecedora exclusiva da tecnologia de voo autônomo para futuras variantes autônomas das aeronaves da Archer.

O eVTOL Midnight deve entrar em produção nesta década (Archer)
O eVTOL Midnight deve entrar em produção nesta década (Archer)

O acordo anunciado nesta segunda-feira conclui essa transformação. Em vez de colaborarem como empresas separadas, a Wisk agora passará a integrar a Archer, enquanto a Boeing deixa de ser proprietária da desenvolvedora de aeronaves autônomas para se tornar acionista da Archer e parceira industrial de longo prazo.

A aquisição também garante à Archer entrada imediata no mercado de defesa por meio da Insitu, cujas aeronaves não tripuladas já estão em operação com clientes militares em todo o mundo. Com a expertise em autonomia da Wisk e a tecnologia de gestão do espaço aéreo da SkyGrid, o acordo posiciona a Archer como uma empresa aeroespacial mais ampla, atuando em mobilidade aérea avançada comercial, aviação autônoma e sistemas de defesa.

Os termos financeiros da transação não foram divulgados.