A Rússia pretende utilizar o caça Su-57D, biposto, para testar tecnologias associadas a uma futura sexta geração de aeronaves de combate, segundo Mikhail Strelets, diretor do Sukhoi Design Bureau.
A aeronave serviria como plataforma de desenvolvimento para capacidades que vão além das incorporadas no atual Su-57, incluindo inteligência artificial de combate e a coordenação de aeronaves não tripuladas cada vez mais autônomas.
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De acordo com Strelets, a adição de um segundo tripulante é especialmente importante para essa função. Um piloto poderia se concentrar no voo do caça e na execução da missão principal, enquanto o segundo gerenciaria as aeronaves não tripuladas que operam em conjunto.
O conceito inclui cooperação com sistemas altamente automatizados, como o S-70 Okhotnik, aeronave de combate não tripulada pesada, além de grupos e, futuramente, enxames de drones.

A Sukhoi não sugere que isso transformaria o próprio Su-57D em um caça de sexta geração. Strelets vê o Felon como uma plataforma capaz de absorver gradualmente tecnologias associadas à próxima geração, criando o que a empresa descreve como uma aeronave “5+”.
A fabricante russa já discutiu essa ideia anteriormente. Em 2025, Strelets afirmou que o Su-57 foi concebido com uma vida operacional de pelo menos 50 anos, período no qual novas tecnologias poderiam ser progressivamente incorporadas à plataforma.
Controle de drones não é novidade para o Su-57
A conexão entre o Felon e aeronaves de combate não tripuladas antecede o Su-57D.
A Rússia trabalha há anos na cooperação entre o Su-57 e o S-70 Okhotnik. Em setembro de 2019, o Ministério da Defesa russo divulgou imagens das duas aeronaves voando juntas durante um teste que durou mais de 30 minutos.
Na ocasião, Moscou informou que o Okhotnik operou de forma automática e interagiu com o Su-57 para ampliar a cobertura do radar do caça e fornecer designação de alvos para armamentos de longo alcance.
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O modelo biposto, portanto, expande um conceito já existente, em vez de introduzi-lo. Sua principal diferença é a possibilidade de designar um operador especificamente para a gestão de outros ativos, permitindo potencialmente uma forma muito mais complexa de integração entre tripulados e não tripulados do que seria possível para o piloto de um caça monoposto.

Isso também explica o interesse da Sukhoi em IA de combate. Maior autonomia a bordo das aeronaves não tripuladas reduziria a necessidade de controle direto pela tripulação do Su-57D. Em vez de pilotar remotamente cada drone, o operador poderia atribuir missões ou objetivos, enquanto sistemas automatizados determinam como executá-los.
Essa arquitetura é um dos conceitos comumente associados à próxima geração do combate aéreo, na qual um caça tripulado opera como parte de uma rede distribuída de sensores, armamentos e aeronaves não tripuladas, e não como uma plataforma isolada.
Afirmações russas são difíceis de avaliar
Ainda não é possível estabelecer até que ponto a Sukhoi avançou na implementação efetiva dessas capacidades.
Essa distinção é especialmente relevante no caso das aeronaves de combate russas. Moscou frequentemente anuncia capacidades avançadas, mas divulga poucas informações técnicas que permitam avaliar de forma independente seu desempenho real ou grau de maturidade. O próprio Su-57 ilustra esse problema.
O Felon é oficialmente descrito pela Rússia como um caça de quinta geração e incorpora diversas características associadas a essa categoria, incluindo baias internas de armamentos, materiais absorventes de radar e uma célula projetada para reduzir reflexos de radar.
Mas a abordagem do modelo à baixa observabilidade gera debates desde sua primeira aparição.

Diferentemente de projetos otimizados de forma mais abrangente para baixíssima observabilidade, o Su-57 mantém características que sugerem diferentes compromissos de engenharia. A instalação dos motores, a fuselagem traseira e a área dos escapes atraem atenção especial, enquanto a entrada de ar da aeronave não utiliza dutos profundamente curvados, presentes em alguns caças furtivos ocidentais.
A Sukhoi adotou medidas para reduzir a contribuição dos motores ao radar, incluindo tratamentos nas entradas e bloqueadores, e as aeronaves mais recentes parecem mais refinadas do que alguns dos primeiros protótipos frequentemente fotografados em público. Ainda assim, o projeto parece priorizar a redução da assinatura no hemisfério frontal em detrimento de outros ângulos.
Isso não significa que o Su-57 não seja uma aeronave de baixa observabilidade. Significa que seu grau real de furtividade permanece difícil de quantificar.
Os valores de seção transversal de radar frequentemente atribuídos ao Felon — e a caças ocidentais — são particularmente problemáticos. Medidas confiáveis sob frequências, ângulos e configurações comparáveis são classificadas, tornando os números comumente repetidos na internet de pouco valor.
A mesma cautela se aplica às novas capacidades agora discutidas para o Su-57D.

Controlar um S-70 durante um voo de teste, desenvolver software para aeronaves autônomas e operar uma formação de drones de combate sob ataque eletrônico são níveis de capacidade muito distintos. O último exige comunicações seguras, fusão de sensores, processamento de bordo avançado, datalinks resilientes e autonomia suficiente para que as aeronaves não tripuladas continuem operando mesmo com comunicações degradadas ou perdidas.
Furtividade em xeque
A Sukhoi não apresentou até agora evidências públicas que permitam determinar de forma independente o grau de maturidade desse sistema.
O programa Su-57 oferece outro motivo para cautela quanto a prazos. O caça voou pela primeira vez em forma de protótipo em 2010, mas o desenvolvimento de elementos principais continua mais de 16 anos depois.
Nada disso torna as ambições da Sukhoi para o Su-57D tecnicamente implausíveis. Utilizar um caça existente como laboratório voador para IA, sistemas autônomos e integração avançada entre tripulados e não tripulados é um caminho lógico de desenvolvimento.
A questão mais relevante é quanto do que a Rússia chama de “tecnologia de sexta geração” já existe como hardware e software funcional, quanto ainda está em desenvolvimento e quanto permanece como objetivo futuro.
No caso do Su-57, essa distinção é especialmente importante: algumas das características que a Rússia atribui ao seu caça de quinta geração continuam difíceis de avaliar de forma independente, mesmo enquanto a Sukhoi começa a falar sobre tecnologias da geração seguinte.



