A Swiss Air Lines vai sucatear dois dos nove Airbus A220-100 que estão temporariamente fora de operação para utilizá-los como fonte de peças de reposição e motores para seus maiores A220-300. Os dois A220-100, matrículas HB-JBD e HB-JBC, foram armazenados em Toulouse em janeiro e não voltarão a voar, confirmou a companhia à Aviation Week.

Ambos os aviões foram entregues à Swiss em 2016, quando a companhia se tornou a cliente de lançamento do modelo ainda sob a designação original Bombardier CSeries.

O plano da Swiss prevê a transferência dos motores Pratt & Whitney PW1500G, do tipo GTF, dos A220-100 para os 21 A220-300, que têm capacidade para 145 passageiros e apresentam melhor desempenho econômico. “Ao desmontar essas duas aeronaves, estamos garantindo componentes para uso próprio”, afirmou um representante da Swiss.

Dos sete A220-100 restantes, três estão atualmente armazenados no Aeroporto Toulouse Francazal, acrescentou o executivo, ressaltando que a Swiss pretende estacionar gradualmente todos os nove aviões por pelo menos 18 meses. O cronograma exato será ajustado conforme a necessidade operacional, com o objetivo de liberar recursos para manter a operação dos A220-300.

Companhia suíça também foi a lançadora do CS100 (Divulgação)
Companhia suíça também foi a lançadora do CS100 (Divulgação)

A Swiss ainda não definiu o futuro de longo prazo para nenhum dos dois modelos do A220. No momento, a prioridade é o A220-300, visando maior estabilidade operacional e redução de custos, mas isso não significa que a frota menor de A220-100 será necessariamente retirada de serviço no futuro.

A companhia está entre as diversas operadoras afetadas por problemas de durabilidade tanto no PW1500G quanto no PW1100G, que equipa os jatos da família A320neo. Atualmente, quatro A320neo da Swiss estão fora de operação devido a falhas nos motores.

A crise de disponibilidade dos motores obrigou a Swiss a manter parte da frota de fuselagem estreita em solo e a remanejar motores. Com o desmonte dos dois A220-100 mais antigos, a companhia consegue manter mais A220-300 em operação sem depender da chegada de novos motores ou unidades revisadas da Pratt & Whitney. O processo também fornecerá outros componentes utilizáveis para a manutenção da frota.

A Swiss foi a primeira cliente do CS100, hoje A220-100 (Divulgação)
A Swiss foi a primeira cliente do CS100, hoje A220-100 (Divulgação)

A família de motores PW1500G apresenta desgaste prematuro das lâminas e outros problemas, resultando em longos períodos de manutenção e redução do estoque de motores sobressalentes.

A Swiss não informou por quanto tempo os demais A220-100 armazenados permanecerão fora de operação, mas o prazo mínimo de 18 meses indica um período prolongado de escassez de motores.