O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria utilizado um elaborado plano de despiste envolvendo três diferentes aeronaves presidenciais durante sua saída da Turquia em julho, embarcando em um jato C-32A da Força Aérea dos EUA após aparecer publicamente entrando no VC-25A Air Force One, segundo reportagens do The Washington Post e do The New York Times.

A operação ocorreu após a cúpula da OTAN em Ancara, em meio ao que autoridades americanas descreveram como uma ameaça de assassinato considerada crível e ligada ao Irã. De acordo com ambos os jornais, Trump chegou inicialmente à Turquia a bordo do recém-adquirido VC-25B "Bridge", um Boeing 747-8 Intercontinental doado pelo Catar e modificado para transporte presidencial.

Antes da partida, o presidente anunciou publicamente que voaria no VC-25A mais antigo “por nostalgia”. Câmeras de televisão registraram Trump embarcando na aeronave, baseada no Boeing 747-200B e em serviço como Air Force One desde o início dos anos 1990.

Segundo as reportagens, porém, Trump não deixou a Turquia a bordo de nenhum dos Boeing 747. Em vez disso, foi transferido secretamente em um veículo de catering do aeroporto para um C-32A que aguardava, designação militar do Boeing 757-200 operado pelo 89º Esquadrão de Transporte Aéreo da Força Aérea dos EUA.

Trump ao lado do VC-25B Bridge
Trump ao lado do VC-25B Bridge | Social media

O C-32A normalmente transporta o vice-presidente, membros do gabinete, autoridades do alto escalão do governo e delegações do Congresso. Também é utilizado pelo presidente em viagens para aeroportos que não comportam a frota maior do VC-25 ou quando requisitos operacionais tornam a aeronave menor mais adequada.

A imprensa e até parte da equipe da Casa Branca teriam acreditado que Trump permaneceu a bordo do VC-25A, que decolou separadamente e pousou no Reino Unido apenas minutos após o C-32A. Jornalistas na aeronave receberam instruções para manter as janelas da cabine fechadas durante todo o voo.

As reportagens também afirmam que o VC-25B doado pelo Catar voou separadamente para a RAF Mildenhall, onde Trump apareceu ao lado da aeronave após chegar no C-32A. A sequência incomum gerou confusão porque o governo havia declarado publicamente que o presidente retornaria no Air Force One mais antigo após realizar sua primeira viagem internacional no ex-avião do Catar.

O C-32 e o VC-25A
O C-32 e o VC-25A

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O episódio evidenciou a complexidade da frota de transporte aéreo presidencial dos EUA. Embora “Air Force One” seja normalmente associado aos dois VC-25A, o indicativo de chamada se aplica a qualquer aeronave da Força Aérea dos EUA que transporte o presidente. Assim, o C-32A também recebe o nome Air Force One sempre que o presidente está a bordo.

A Casa Branca não negou a operação. Em declaração citada pela imprensa americana, o diretor de Comunicação Steven Cheung afirmou que as aeronaves presidenciais contam com extensas medidas de segurança e que “todos os recursos disponíveis” são utilizados para proteger o presidente contra ameaças potenciais.