A Marinha dos Estados Unidos (US NAvy) concluiu as operações finais do turboélice Grumman C-2A Greyhound em porta-aviões, colocando um ponto final em quase seis décadas de serviço.
O Greyhound é um avião diferente, uma espécie de 'turboélice comercial' já que é responsável pelo transporte de passageiros, correspondências, peças de aeronaves e outras cargas de alta prioridade entre bases em terra e embarcações.
Os últimos pousos com gancho de parada e lançamentos por catapulta ocorreram a bordo do USS Nimitz (CVN 68) em 25 de junho, enquanto o porta-aviões seguia do norte da Flórida em direção a Nova York para participar dos eventos que marcam o 250º aniversário dos Estados Unidos.
A missão também representou um dos marcos finais para o Nimitz, navio líder de sua classe, cuja aposentadoria é prevista após cinco décadas de serviço.

As duas aeronaves C-2A do Esquadrão de Apoio Logístico de Frota (VRC) 40 transportaram oficiais seniores da Marinha dos EUA e jornalistas antes de realizar o que se espera ser a última decolagem assistida por catapulta do Greyhound a partir de um porta-aviões.
Do C-1 Trader ao Greyhound
O Greyhound entrou em operação em 1966, substituindo o Grumman C-1 Trader, com motores a pistão e derivado do famoso Tracker que voou na FAB. Ele assumiu a missão de transporte embarcado (COD) oferecendo maior capacidade de carga e alcance.
A Grumman atendeu a esse requisito adaptando o E-2 Hawkeye, aeronave de alerta aéreo antecipado, para a função de transporte. O C-2 manteve as asas, motores e estabilizadores do Hawkeye, mas recebeu uma fuselagem mais larga com uma grande rampa traseira para cargas volumosas.

Equipado com dois motores Allison T56, o avião podia transportar até 28 passageiros ou cerca de 4,5 toneladas de carga, incluindo motores de caça sobressalentes, peças críticas, correspondências e pacientes para evacuação médica. Atualizações posteriores incorporaram novos aviônicos, displays digitais e hélices de oito pás, prolongando a vida útil da frota até bem depois de 2020.
Nova abordagem para logística embarcada
O Greyhound está sendo substituído pelo Bell-Boeing CMV-22B Osprey, encerrando a era dos aviões de asa fixa dedicados à logística em porta-aviões da Marinha dos EUA.
Diferente do C-2, o tiltrotor (rotores basculantes) não pousa com auxílio de cabos de parada nem decola por catapulta a vapor ou eletromagnética. Ele decola e pousa verticalmente como um helicóptero, o que permite operar não só em porta-aviões, mas também em navios de assalto anfíbio, zonas de pouso restritas e bases avançadas sem necessidade de pista.

A mudança também altera a forma como a Marinha transporta pessoal e suprimentos para seus grupos de ataque. Enquanto o Greyhound oferecia cabine pressurizada e maior altitude de cruzeiro, o CMV-22B proporciona flexibilidade operacional superior e pode ser reabastecido em voo, ampliando o alcance em missões logísticas de longa distância.
A transição não ocorreu sem desafios. A frota Osprey enfrentou restrições operacionais após uma série de acidentes nos últimos anos, o que obrigou a permanência de alguns Greyhound em serviço além do previsto. Ainda assim, a Marinha já concluiu a transferência da missão COD, e as aeronaves C-2A restantes devem ser retiradas ainda este ano, encerrando um dos programas de transporte mais longevos da aviação naval dos EUA.
